Arquivo de abril de 2010

26 de abril de 2010
Você se ufana de seu país?

(publicado no jornal Valor Econômico em 22/04/2010)

Quando Afonso Celso de Assis Figueiredo Jr., Conde de Ouro Preto, um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras, lançou seu controverso livro “Porque me ufano de meu país”, em 1900, o Brasil era uma República que engatinhava. Fora o avanço político no seu mais amplo sentido, não havia grandes feitos econômicos e nem evolução social para celebrar. O ufanismo mirava um futuro provável, mas não garantido. Exaltava o tamanho territorial, os caudalosos rios, a verdejante e virgem floresta, a bela e extensa costa, além dos minérios e de outros poucos produtos.

Todos faziam parte da lista dos onze motivos aos quais Afonso Celso atribuía a superioridade do Brasil, entre eles alguns “nobres predicados do caráter nacional como a paciência e a resignação”. Está claro que tratava-se de um limitado e exagerado entusiasta. Tudo o que ele idolatrou no início do século XX não ia muito além do que Cabral havia encontrado em terra firme, quatrocentos anos antes. [ leia mais ]

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12 de abril de 2010
Inflação, diferentes pesos e medidas

(publicado no jornal Valor Econômico em 08/04/2010)

A recente preocupação de alguns analistas e economistas com a inflação carece de pesos e medidas. Tal qual frutos reunidos em uma mesma cesta, independente de tamanho, formato, paladar e cor, peca-se pela generalização e, ainda, pela pressa em avaliar comportamentos econômicos como se fizessem, todos, parte da mesma horda.

O equívoco analítico com certeza tem raízes no passado recente, quando o mundo ainda passava pelas transformações provocadas pela queda do muro de Berlim e pelo desaparecimento do estado soviético. Rapidamente, com a ajuda do avanço da internet, verificou-se o encurtamento das distâncias, a proximidade de desejos e anseios e a integração econômica. Guardadas as devidas proporções, o senso comum passou a acreditar que se viveria para sempre com prosperidade e estabilidade em qualquer parte do mundo.

A crise financeira do final do ano passado veio quebrar o encanto. Como que despertado de um sonho de fadas, o mundo percebeu que a realidade continua dura e que exige sacrifícios de quem quer alcançar a virtude do bem-estar. Mas a crise comprovou também o que sempre se soube, mas andava esquecido: que a realidade varia em função do lugar, da circunstância e do potencial de cada um. Nesse sentido, a diversidade de situações que hoje se verifica entre países e regiões exige cautela na análise dos fatos econômicos e suas perspectivas para o médio e o longo prazos. [ leia mais ]

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