Arquivo de dezembro de 2012

30 de dezembro de 2012
Complicadas combinações

Maria Clara R. M. do Prado

(publicado em 20/12/12 no Valor Econômico)

Há pouco menos de um ano, esta coluna indagava se 2012 seria o ano da inflexão. Fazia-se referência à situação da economia internacional, com especial foco na zona do euro. Onze meses depois, pode-se dizer que, infelizmente, chegamos ao término de 2012 com um quadro mais grave.

A projeção do Bundesbank de que a Alemanha crescerá apenas 0,7% este ano e 0,4% em 2013 deixou a todos de barbas de molho. A recessão já chegou aos países mais ricos do euro e reforça as estimativas de evolução de negativa do Produto Interno Bruto (PIB) na região: menos 0,5% este ano e menos 0,3% em 2013. Tudo isso se complica com as incertezas políticas na Itália, como se uma nuvem negra se espalhasse sobre a União Europeia (UE). Se algum avanço houve fica por conta do entendimento em torno da supervisão bancária unificada, prevista, no entanto, para 2014. [ leia mais ]

14 de dezembro de 2012
Mia Couto, na língua que lhe pertence

Maria Clara R. M. do Prado

Um escritor tem por sua maior companheira a língua que usa para esquadrinhar as palavras, dar-lhes vida na forma de verso ou de prosa. Fazer isso na língua materna, aquela em que aprendemos a falar, na qual rimos e choramos, é como estar em uma festa a bailar uma música conhecida.

Poucos escritores conseguem familiaridade com a escrita em uma língua que não seja a sua. Quando esteve no Brasil, há cerca de um mês, Mia Couto fez reflexões sobre a importância da língua na escrita e falou, em especial, da língua portuguesa e das possibilidades que oferece para escritores criativos como ele .  [ leia mais ]

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11 de dezembro de 2012
Atenção às contas externas

Maria Clara R. M. do Prado

(publicado em 30/11/2012 no Valor Econômico)

O Brasil poderia pagar hoje, se quisesse, toda a dívida externa registrada no  Banco Central (BC) no valor de US$ 308,5 bilhões com os recursos das reservas  internacionais que somaram US$ 377,8 bilhões, na posição de outubro, e ainda  sobraria dinheiro. Sem dúvida, esse é um bom indicador da situação externa do  país. Não é, no entanto, suficiente para assegurar tranquilidade nos meses  vindouros.

Pode-se dizer que em matéria de estoque – aquilo que se tem disponível de  imediato para enfrentar eventuais transtornos cambiais – o quadro atual não  requer maiores preocupações. Mas estoque é o saldo em reserva observado em  determinado momento do tempo. Relevante é o fluxo, ou seja, o comportamento de  entradas e saídas de moeda estrangeira do país, pois dele dependerá o acúmulo ou  a queda das reservas internacionais em estoque.

E é justamente no âmbito dos fluxos que as contas externas do país estão a merecer atenção redobrada. Os dados do balanço de pagamentos do país referentes à evolução mensal deste ano, acumulados até outubro, acusam uma acentuada queda  na entrada dos recursos externos que alimentam a conta de capital. Esta é a  parte do balanço de pagamentos que trata do dinheiro de mais longo prazo, como  investimentos e empréstimos. [ leia mais ]