Arquivo de dezembro de 2013

29 de dezembro de 2013
Decisão do IOF força desvalorização cambial

por Maria Clara R. M. do Prado

A decisão do governo de estender o IOF de 6,38% para as operações com cartão de débito e outros tipos de cartões usados por brasileiro no exterior, além dos “traveller checks”, conforme introduzida na sexta-feira, é uma medida cambial, por excelência. O câmbio continuará flutuante, mas o dólar turismo passará a “flutuar” em um patamar mais alto.

A medida teve o efeito de ampliar a desvalorização do real negociado no segmento do dólar turismo, criando uma cunha de quase 10% de diferença entre a cotação de R$ 2,3412 do dólar comercial, conforme negociado há dois dias, sexta-feira, dia 27, e a cotação do dólar turismo. Este atingiu R$ 2,44 no penúltimo dia útil bancário do ano de 2013, mas, acrescido do IOF ou de uma desvalorização forçada de 6,38%, pulou na prática para R$ 2,5956.

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27 de dezembro de 2013
Um PIB melhor para 2014

por Maria Clara R. M. do Prado

(publicado em 19/12/13 no Valor Econômico)

Não bastasse 2014 ser um ano de eleições majoritárias no país, a política econômica terá de se ajustar, no tato, ao processo de redução da liquidez que o Fed vem injetando na economia americana, em somas cavalares, desde 2008.

O governo brasileiro precisa mostrar-se eficiente naquilo em que é mais vulnerável: a incapacidade de enxergar adiante e de se antecipar aos fatos de forma organizada e coerente. Junte-se a isso um sério problema de comunicação, além de uma inacreditável dose de trapalhadas absolutamente desnecessárias, e está montado o cenário ideal para os especuladores que ficam à espreita, esperando a hora de atacar, sem a menor preocupação com os níveis de classificação de risco da dívida soberana, se estão em AA, A ou B.

Os comprados em dólar apostam na alta da taxa de câmbio. Quanto mais se propaga a piora do cenário econômico, mais ganham. Previsões ruins plantam mais incerteza e mais desvalorização cambial em terreno fértil. O ciclo se autoalimenta com a ajuda de desavisados que ajudam com o mau agouro.

Não há dúvida de que o governo é o principal responsável pela situação pois, não se sabe bem o motivo, insiste em agir de forma a contribuir para a disseminação das más notícias. O ponto crucial está no gerenciamento das contas públicas, cujo superávit primário deste ano acabou por ganhar um fôlego favorável com a nova rodada do Refis e os recolhimentos da Vale. Cabe ao governo cuidar para que as contas não descarrilhem inexoravelmente no ano que vem.

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