Arquivo de outubro de 2014

22 de outubro de 2014
Visão equivocada confunde eleitor

por Maria Clara R. M. do Prado

(publicado no Valor Econômico em 22/10/2014

As democracias desenvolvidas – solidificadas há pelo menos um século – evoluíram para o bipartidarismo na disputa pelo poder político, seja na esfera do Executivo, seja no Legislativo. É o caso dos Estados Unidos, da Grã-Bretanha e de outros países, onde a preferência do eleitorado se divide entre dois polos, identificados pelo que os difere ideologicamente. As eleições são decididas pelos eleitores “swings”, ou seja, por uma pequena margem de votantes que costuma oscilar de um lado para outro. As campanhas eleitorais focam, essencialmente, no voto dessa pequena parcela do eleitorado.

A estreita margem entre os candidatos nas pesquisas neste segundo turno da eleição presidencial brasileira tem apresentado um perfil similar ao das democracias mais desenvolvidas. Teria a jovem democracia brasileira conseguido alcançar um estágio mais avançado nesses 25 anos de existência, o mais longo período democrático contínuo do país em 514 anos de história? A resposta é não. Os motivos são vários.

Para começar, o bipartidarismo ou um sistema composto por poucos e expressivos partidos, é inexistente. Os 28 partidos que terão assento no Congresso Nacional a partir de janeiro – com 18 diferentes agremiações no Senado – são potenciais candidatos a replicarem o comportamento padrão do “é dando que se recebe”, das maracutaias, da compra de votos, da prevalência do privado sobre o público.

Além disso, a proliferação partidária abre espaço para esdrúxulas composições regionais que comprometem a identidade política dos partidos e confundem o eleitorado. Esse “saco de gatos”, para dizer o mínimo, está longe de caracterizar uma democracia evoluída.

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