Arquivo de outubro de 2015

21 de outubro de 2015
Retrocesso Distributivo

por Maria Clara R. M. do Prado

(publicado em 15/10/2015 no Valor Econômico)

 

As conquistas sociais da era Lula, com toda a razão efusivamente elogiadas no meio acadêmico internacional, estão em processo de desaceleração. O aumento do desemprego é hoje o sinal mais visível da transição da era das vacas gordas, que perdurou por dez consecutivos anos – o PIB cresceu, em média, 3,4% ao ano entre 2005 e 2014 – para o atual cenário de penúria econômica.

A previsão dos relatórios do FMI divulgados no encontro anual que acaba de realizar-se em Lima não deixa dúvida de que uma tempestade maléfica paira sobre o Brasil, com perspectivas de alongar-se por muitos meses.

A previsão de que o PIB do país recue 3% este ano e caia 1% em 2016 (FMI/outubro 2015) vem agravar substancialmente o estado de estagnação observado no ano passado. Fruto do necessário arrocho do setor público – que no Brasil sempre toma a forma do aumento de impostos, arrastando para baixo o setor privado com poucos resultados práticos em função da queda da renda – e de uma conjuntura internacional nada amigável, tudo caminha na direção do reverso para pior dos indicadores sociais.

É difícil ter-se hoje uma avaliação acurada sobre os efeitos do ajuste fiscal no resultado das políticas sociais, mas começa a haver estudos com o objetivo de medir o impacto da drástica queda observada nos preços internacionais das “commodities” ao longo dos últimos quatro anos no comportamento da renda, em especial nos países da América Latina, sabidamente os maiores beneficiários do “boom” dos bens primários e semimanufaturados.

[ leia mais ]

tags: , , , , ,

21 de outubro de 2015
Fundamentos da UE sob ameaça

por Maria Clara R. M. do Prado

(publicada em 17/09/2015 no Valor Econômico)

 

Constituída a partir de um processo madurado ao longo de anos com o objetivo da estabilidade e da segurança regional, no rastro da destruição deixada pela Segunda Guerra Mundial, a União Européia está com os fundamentos colocados à prova pela africanos leva de refugiados que buscam melhores condições de vida no “Velho Continente”.

Muitos são os aspectos envolvidos na situação que deve introduzir este ano, só na Alemanha, de acordo com diversos cálculos, cerca de um milhão de refugiados, especialmente originários da Síria, mas também do Afeganistão, do Paquistão, além de outros países, incluindo os africanos.

Parece claro, para começar, que o ideal de livre mobilidade de pessoas dentro da UE, formalizado pelo Tratado de Schengen ficou comprometido com as decisões tomadas nesta semana por alguns países dos Balcãs, além da Hungria, da Áustria, da Holanda e da própria Alemanha, de reintroduzirem controles nas fronteiras. A iniciativa Schengen, incorporada dentro da UE em 1997, representou um importante passo para a consolidação da zona de livre comércio definida nos primórdios como Comunidade Econômica Européia.

A liberalização do movimento da mão de obra introduzida pelo espaço Schengen funcionou como um reforço à movimentação livre de bens e serviços. O terceiro pé do alicerce que buscou amarrar o “ideal” de uma Europa unida surgiu em 1999 com o lançamento do euro. Como se sabe, nem todos os países da UE aderiram à moeda européia. Alguns não quiseram, como é o caso da Grã-Bretanha, e outros não puderam.

[ leia mais ]