7 de fevereiro de 2013
Falstaff nos 200 anos de Verdi

Maria Clara R. M. do Prado

Giuseppe Verdi, habitué do La Scala de Milão desde os primórdios de sua carreira, está mais uma vez de volta ao palco daquele grande teatro com Falstaff, uma ópera cômica, em três atos, cujo libreto – de Arrigo Boito – tomou por base a peça “As alegres mulheres de Windsor” e algumas passagens de “Henrique IV”, ambas de Shakespeare.

Este Falstaff, tantas vezes encenado e cantado mundo afora, surge rodeado de algumas relevantes referências: marca os 200 anos de nascimento de Verdi e, muito provavelmente não por coincidência, é apresentado exatos 120 anos depois da estréia daquela que seria a última ópera de Verdi, em 09 de fevereiro de 1893.

Mas o que talvez seja mais marcante é a produção moderna deste Falstaff, de autoria do canadense Robert Carsen, com cenários de Paul Steinberg e condução do maestro Daniel Harding.

Quem não assistiu no Royal Opera House, em Londres, em maio do ano passado, pode correr para ver o espetáculo em Milão até o próximo dia 12, ou, ainda, esperar até dezembro, quando se espera a montagem da mesma produção de Carsen no Metropolitan de Nova York (a conferir).

Um Falstaff bonachão, guloso e metido a conquistador, representado pelo barítono Ambrosio Maestri, ajuda a compor um ambiente carregado de intriga e de conquistas amorosas mal sucedidas, tudo com muito humor e muito colorido.

No libreto original, a história se passa na época do reinado de Henrique IV (1399 – 1413), na Inglaterra, mas a produção de Carsen trouxe a trama para a década de 50 do século XX. Veja no trailer do La Scala de Milão:

 

 

Uma montagem bem diferente daquela que marcou a estréia, e que por muito tempo viveu no imaginário dos aficcionados, com o figurino de Falstaff alinhado com as vestimentas típicas do século XV.

Verdi compôs Falstaff quando estava perto dos 80 anos de idade. Foi sua segunda ópera cômica (só compôs duas) em meio a um repertório de mais de 30 óperas, tendo sido Otelo, baseada no drama de Shakespeare, seu penúltimo trabalho. Era já um consagrado Verdi quando estreou pela última vez no La Scala, o teatro que lhe foi mais fiel, naquele ano de 1893.

Não por acaso uma multidão acompanhou pelas ruas de Milão, em 1901, o cortejo fúnebre de Verdi em homenagem não só à obra, mas à figura política do compositor que atuou em defesa da independência do norte da Itália na luta contra o domínio do Império Austro-Húngaro.

O coro “Va Pensiero” da ópera Nabucco, uma das primeiras compostas por ele (em 1842) – expressa a profunda tristeza dos hebreus, mantidos em cativeiro na Babilônia, ao cantarem a saudade de sua terra, Jerusalém – tornou-se em meados do século XIX o hino dos milaneses e de outros italianos da região contra os austríacos. Hoje, é considerado uma espécie de símbolo nacional da Itália.

 

Desde o ano passado, várias têm sido as apresentações das óperas de Verdi na busca de marcar o segundo século do seu nascimento, mas, curiosamente, Falstaff  (Sir John Falsfatt é o nome do personagem) parece ser a mais encenada nesta temporada de 2012/2013 nos variados teatros de ópera.

Com outra produção, a ópera vai estrear no dia 27 deste mês na Ópera  Nacional de Paris.

Entre fins de julho e início de agosto, Falstaff será apresentado no Festival de Salzburg, Áustria, em uma outra produção, regida pelo maestro Zubin Mehta. Em todas estas montagens, embora sejam diferentes, o papel principal será desempenhado por Ambrosio Maestri. Na lista, há outros teatros, como o de Quebec, no Canadá.

 

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