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8 de dezembro de 2016
Sobre a credibilidade do Banco Central

por Maria Clara R. M. do Prado

(publicado no Valor Económico em 08/12/2016)

 

Faz sentido o comentário do presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, noticiado ontem no Valor Online, de que a “autoridade monetária está com credibilidade demais”, ao ser indagado sobre as recorrentes pressões (para a redução dos juros). Quis dizer que o Copom pode vir a reduzir novamente os juros em janeiro sem que isso comprometa a reputação de guardião da estabilidade da moeda.

De fato, a considerar o prolongamento do quadro de recessão no país, com o PIB retraindo em 4% até o terceiro trimestre no ano, depois de amargar queda de 3,8% em 2015, o retrocesso no valor da produção interna é tão grande que não justificaria juros em patamar tão alto quanto a atual taxa da Selic, de 13,75% ao ano, aprovada na última reunião do Copom.

Não há dúvida também de que em meio aos perigosos embates que têm confrontado os três poderes em Brasília, com boatos espalhados nos quatro cantos, o Banco Central  consegue manter-se imune à  intriga política, a despeito das pressões de parlamentares, empresários e até de membros do próprio governo em prol de uma queda mais acentuada da taxa de juro de curto prazo.

O clima de barata voa que predomina no Planalto chegou a esbarrar no Ministro da Fazenda, como se viu na semana passada, comprometendo ainda mais as expectativas não apenas quanto à evolução dos indicadores econômicos, mas quanto à sustentação do governo Temer no poder.

Enquanto perdurar a investigação do envolvimento de representantes da classe política com a corrupção, não se deve esperar grandes evoluções positivas do PIB. No cenário de crise que se vive, é natural que os investidores prefiram esperar por dias de menor incerteza política.

Pois são justamente as dúvidas que se amontoam em um horizonte incerto, difícil de enxergar, que recomendam cautela ao Banco Central. O clima de insegurança política pode perfeitamente funcionar como elemento de instabilidade monetária, ainda que o PIB esteja em franca situação de fragilidade.

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15 de abril de 2016
Mais caos ou soluções?

por Maria Clara R. M. do Prado

(publicado em 14/04/2016 no Valor Econômico)

Quem quer que venha a vencer a eleição presidencial indireta em que se transformou o atual processo de impeachment em curso no Congresso Nacional, terá a obrigação de atender aos anseios imediatos da sociedade. Um governo formado acima dos interesses partidários e além das vaidades pessoais é o que se espera. Isso não é absolutamente impossível, mas com certeza está longe de ser uma expectativa realista.

Muito provavelmente, se conseguir manter-se no cargo, a presidente Dilma Rousseff consolidará sua posição de refém do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, sujeita a um projeto econômico que atenda os interesses políticos do PT.

Por outro lado, se conseguir assumir o cargo de Presidente da República, o senador Michel Temer passará a devedor do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, pelos serviços prestados ao processo de impeachment. Temer estará comprometido com os políticos que o tiverem catapultado ao cargo máximo da hierarquia republicana.

No entanto, apesar dos vícios e dos compromissos políticos, Dilma promete um grande acordo nacional para reorganizar o país, enquanto Temer fala em um governo de salvação nacional. São retóricas que beiram o oportunismo diante do caos instalado na política, na economia e, não tardará muito, no tecido social que dá sinais de esgarçamento.

Ao invés de retórica, o país precisa de ação rápida, profunda e definitiva.

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