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16 de agosto de 2013
O Fed e as operações compromissadas

por Maria Clara R. M. do Prado

(publicado em 15/08/2013 no Valor Econômico)

Operação compromissada é o nome que se dá às transações entre o banco central e as instituições financeiras com vistas a regular o nível mais apropriado de reservas (dinheiro em “cash”) que os bancos devem ter em caixa vis a vis o objetivo de determinada taxa de juros de curto prazo.

Tais operações se realizam por meio da compra e da venda de títulos de renda fixa – normalmente, títulos do Tesouro – com cláusulas de revenda e de recompra, respectivamente. Ou seja, funciona como uma espécie de “porta” pela qual o Banco Central injeta ou recolhe liquidez da economia, por meio do sistema bancário.

Ao contrário do que alguns acreditam, essas operações não têm a função de financiar o Tesouro e nem contribuem para ampliar o endividamento público.

A taxa de juros de curto prazo é o principal instrumento de política monetária na era do regime de meta de inflação, mas os BCs podem fazer uso do mecanismo das operações compromissadas para recolher ou injetar mais recursos no sistema financeiro por meio da compra de títulos, com o compromisso de revendê-los de volta em determinado prazo. Essas operações, que normalmente envolvem uma pequena fatia do total de liquidez em circulação, poderiam ser classificadas de instrumento secundário no gerenciamento da política monetária no dia-a-dia.

Foi a elas que o Fed (o banco central dos Estados Unidos) recorreu maciçamente depois de 2008, a partir da crise financeira, na tentativa de reverter o franco processo de retração da economia americana. Optou-se pelo “second best” da política monetária, pois o “first best”, o instrumento dos juros, já então próximo de zero, havia esgotado sua eficácia.

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4 de fevereiro de 2010
Ainda valerá a pena ser banqueiro?

(publicado no jornal Valor Econômico em 04/02/2010)
As sábias e influentes mentes, todas globais, reunidas em Davos, não foram capazes na semana passada de chegar nem perto de um entendimento sobre como avançar na questão da regulação da atividade bancária. O presidente da França, Nicolas Sarkozy, ganhou visibilidade ao repetir a mesma retórica dos últimos meses, a favor da restrição aos bônus recebidos pelos gestores dos bancos e do aperto à regulamentação do setor.

Mas nem a França e nem outros países da Europa têm algo de concreto para apresentar. Enquanto discursam contra os bancos, ganham com certeza popularidade. Sabe-se, porém, que só blablablá não basta. A crise financeira eclodida em 2008 foi grande o suficiente, com largos estragos sociais, e não será esquecida tão cedo pelos contribuintes eleitores. No entanto, a pressão popular talvez não seja suficiente para mover os acontecimentos na direção desejada pelos dirigentes governamentais. É que o assunto abrange aspectos nada triviais tendo em vista os interesses econômico-financeiros envolvidos. [ leia mais ]

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