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11 de dezembro de 2012
Atenção às contas externas

Maria Clara R. M. do Prado

(publicado em 30/11/2012 no Valor Econômico)

O Brasil poderia pagar hoje, se quisesse, toda a dívida externa registrada no  Banco Central (BC) no valor de US$ 308,5 bilhões com os recursos das reservas  internacionais que somaram US$ 377,8 bilhões, na posição de outubro, e ainda  sobraria dinheiro. Sem dúvida, esse é um bom indicador da situação externa do  país. Não é, no entanto, suficiente para assegurar tranquilidade nos meses  vindouros.

Pode-se dizer que em matéria de estoque – aquilo que se tem disponível de  imediato para enfrentar eventuais transtornos cambiais – o quadro atual não  requer maiores preocupações. Mas estoque é o saldo em reserva observado em  determinado momento do tempo. Relevante é o fluxo, ou seja, o comportamento de  entradas e saídas de moeda estrangeira do país, pois dele dependerá o acúmulo ou  a queda das reservas internacionais em estoque.

E é justamente no âmbito dos fluxos que as contas externas do país estão a merecer atenção redobrada. Os dados do balanço de pagamentos do país referentes à evolução mensal deste ano, acumulados até outubro, acusam uma acentuada queda  na entrada dos recursos externos que alimentam a conta de capital. Esta é a  parte do balanço de pagamentos que trata do dinheiro de mais longo prazo, como  investimentos e empréstimos. [ leia mais ]

21 de outubro de 2010
Real permanece no curto prazo

(publicado no jornal Valor Econômico em 21/10/2010)

Nos idos do início dos anos 90, quando o Brasil era refém dos bancos credores internacionais, patinho feio no Fundo Monetário Internacional (FMI) e devedor do Clube de Paris, o então diretor da área internacional do Banco Central (BC), Armínio Fraga, surpreendeu meio mundo ao afirmar em audiência no Congresso Nacional que o país precisava de capital externo para se financiar e que isso implicava ter algum déficit na conta corrente do balanço de pagamentos.

A declaração de Armínio destoou da crença geral, alimentada pelo FMI, segundo a qual o Brasil teria de produzir sucessivos superávits em conta corrente para contrabalançar o desarranjo de suas contas externas que se arrastava já há dez anos, desde a moratória de 1982. A situação era dramática: sem capital externo para financiar o crescimento, com o PIB patinando, o país dirigia todos os esforços à geração de saldo positivo na balança comercial. Dessa forma, conseguia receita em dólares para cobrir as pendências que sangravam a conta de capital. [ leia mais ]