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10 de dezembro de 2015
Democracia e capitalismo

por Maria Clara R. M. do Prado

(publicado no Valor Económico em 10/12/2015)

 

Desde a crise dos “sub-primes” e o desaparecimento do Lehman Brothers em 2008, a predominância do “laissez faire, laissez passer” (ou neoliberalismo) começou a ser questionada. O abalo financeiro funcionou de alerta aos riscos do não intervencionismo e levou alguns economistas americanos e europeus a repensarem o modelo de capitalismo predominante no pós queda do muro de Berlim. Passou-se a apontar para o aumento da desigualdade e a associa-lo à deterioração da democracia. Esta já não conseguiria funcionar em sua plenitude pelo empoderamento político da elite empresarial e financeira.

Joseph Stiglitz foi um dos primeiros a chamar a atenção para o aumento da desigualdade nos Estados Unidos, consequência do estreito relacionamento dos grandes grupos econômicos com a classe política representada no Congresso e no poder executivo. Thomas Piketty aprofundou o debate ao mostrar que o mundo vive período de altos níveis de concentração de renda, só comparável ao estado de enriquecimento da elite no início do século XX, antes que as duas guerras tivessem achatado a diferença entre pobres e ricos.

Outros embarcaram nos mesmos temas. Luigi Zingales, por exemplo, decidiu que o capitalismo precisa ser salvo dos capitalistas, a partir da mesma constatação de Stiglitz de que predomina hoje nos Estados Unidos o capitalismo de compadrio, ou de conluio, aquele que se alimenta das relações espúrias e interesseiras entre os grandes empresários e os detentores do poder político.

São todas observações relacionadas à realidade dos países desenvolvidos que, por similaridade dos personagens envolvidos, acabam sendo transportadas sem maiores diferenciações para a análise dos fatos em países como o Brasil.

Aqui, por defeito de fabricação nos primórdios da colonização, temos desde sempre um país viciado em conluios e conchavos entre o poder econômico e a classe política, coniventes em seus interesses que confundem o público com o privado. Não resultou isso de um processo recente de aumento da concentração de renda, como identificou Piketty na França e em outros países desenvolvidos.

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2 de julho de 2014
Mais igualdade, mais democracia: o caso do Brasil

“More Equality, More Democracy: the Case of Brazil” 

de autoria de Maria Clara R. M. do Prado

 

Projeto apresentado no dia 26 de junho de 2014, resultado do fellowship desenvolvido junto ao NED – National Endowment of Democracy – uma organização sem fins lucrativos que funciona em Washington, DC, como um think tank na promoção e no estudo da democracia, suas causas e consequências para o desenvolvimento político e económico, e para a melhoria do padrão da sociedade.

Algumas observações feitas durante a apresentação do projeto:

 O Brasil vive hoje o mais contínuo período de democracia de sua história e também uma    fase fértil de avanços econômicos e sociais que tem garantido significativa melhoria no  padrão de vida da imensa massa de brasileiros das classes de renda mais baixas.

 

 

Não é uma coincidência.

A consolidação da democracia cria oportunidades para uma maior participação política, enquanto que a melhoria da distribuição de renda abre perspectivas para maior acesso às oportunidades e para a ascensão social. Uma reforça a outra!

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20 de maio de 2010
A promissora classe C

(publicado no jornal Valor Econômico em 20/05/2010)

Nem todos se deram conta da extraordinária transformação pela qual passa a sociedade brasileira. O ingresso no mercado de boa parte da população que vivia à margem das oportunidades tem enormes implicações que não se esgotam no campo econômico. Muito pelo contrário, as consequências da mudança na renda das famílias tendem a se refletir cada vez com mais intensidade na tomada de consciência do cidadão sobre seus direitos e deveres. A consequência é política, antes de tudo.

A grande maioria dos expectadores das novelas da Globo já não está mais limitada aos sonhos que a vida espetaculosa dos personagens estimulava na tela. As pessoas da nova classe C brasileira viajam de avião, ao invés de pau-de-arara. Vestem-se em lojas de departamento, ao invés do bazar da esquina. Podem comemorar o Dia das Mães no restaurante do bairro, andar em carro próprio, ter mais de um celular e, nestes dias de pré-Copa, comprar aquele aparelho de TV de tela plana que garantirá ao torcedor um novo status. [ leia mais ]

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