Posts com a Tag ‘crise’

29 de agosto de 2017
Jackson Hole confirma desordem mundial

por Maria Clara R. M. do Prado

(publicado no Valor Econômico em 29/08/2017)

Tal qual aconteceu na cúpula do G-20 – reúne 19 países com as economias mais desenvolvidas, além da União Européia – na reunião de julho em Hamburgo, economistas e representantes de Bancos Centrais reiteraram na semana passada, em Jackson Hole (vale de Jackson, no estado de Wyoming, nos Estados Unidos), a importância do livre comércio como estímulo à retomada do crescimento mundial.

O proselitismo liberal tem ressurgido com ênfase nos discursos econômicos como uma espécie de contraponto à realidade política que tem dado preferência ao protecionismo comercial.

O encontro de Jackson Hole, promovido pelo Federal Reserve Bank of Kansas City entre os dias 24 e 26 de agosto, foi dedicado ao tema “Promovendo uma Economia Global Dinâmica” (“Fostering a Dynamic Global Economy”), mas, objetivamente, não apresentou nenhuma nova informação que pudesse trazer alento aos empresários e trabalhadores que ainda sofrem com a recessão deflagrada com a crise dos sub-primes nos Estados Unidos, lá se vão dez anos.

Mario Draghi, presidente do ECB – banco central europeu, com atuação nos países da zona do euro – frustrou o mercado financeiro. Não anunciou mudanças na política monetária de flexibilização quantitativa, que se vale da emissão de moeda para aliviar a retração econômica e o desemprego na Europa.

A rigor, Draghi não pode adiantar-se aos acontecimentos políticos diante das incertezas do Brexit – a saída do Reino Unido da UE. Muito embora nunca tenha optado por substituir a libra esterlina pelo euro, o Reino Unido foi até aqui um importante parceiro no sistema de livre trânsito de mercadorias, investimentos e de trabalhadores da UE.

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13 de fevereiro de 2015
O perigo de uma crise cambial

por Maria Clara R. M. do Prado

(publicado no Valor Econômico em 18/12/2014)

 

Há doze meses, enquanto se escrevia o texto desta coluna, o dólar disparava e o mercado vivia em alvoroço. Ninguém acreditava que 2014 seria um ano fácil. Naquele dezembro de 2013, o dólar comercial atingiu o seu auge no dia 20, tendo fechado em R$ 2,385, com alta de 1,583% sobre a cotação da véspera. Jogavam-se todas as fichas na desvalorização do Real.

Mas nenhuma alma chegou a imaginar que um ano depois o dólar superaria os R$ 2,70. Muito menos, que a principal empresa brasileira, a Petrobrás, se veria enredada em um estrepitoso escândalo de corrupção, o maior de que se tem notícia no meio empresarial do país.

E o pior ainda está por vir. Com a crise da Rússia batendo à porta e uma Europa que ainda não conseguiu recuperar-se do baque de 2008, o risco do Brasil caminhar para uma situação de descontrole cambial é muito alto. A mesma Petrobrás, que no passado ajudou a sedimentar a credibilidade do país no exterior, contribui agora para macular a imagem e as expectativas com relação ao Brasil. A moeda é a primeira a derreter.       [ leia mais ]

15 de dezembro de 2011
A história de uma crise

(publicado no jornal Valor Econômico em 15/12/2011)

Um querido amigo me perguntou há alguns meses sobre o processo pelo qual a crise da Grécia contaminaria as economias mais avançadas da região. Acreditava que o euro não seria contaminado pelos problemas gregos, irlandeses, espanhóis e portugueses. Afinal, os países do norte da Europa, muito mais saudáveis, tenderiam a passar incólumes pela crise porque nada tinham a ver com os países menos eficientes.

Na sua imaginação, ele enxergava uma Europa com a visão sedimentada na segunda metade do século XX. Os países não tinham maiores vínculos entre si, a não ser pelas regras tarifárias e alfandegárias do mercado comum. Essa concepção, no entanto, não se encaixa na lógica de uma zona monetária única. Uma mesma moeda não pode ser satisfatoriamente compartilhada por entes diferenciados, a menos que haja um poder político superior e comum a todos. [ leia mais ]

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15 de setembro de 2011
Querem enquadrar os culpados!

(publicado no jornal Valor Econômico em 15/09/2011)

Quanto mais se agrava a situação econômico-financeira dos países mais desenvolvidos, assim chamados até aqui, menos clareza parece haver na percepção dos analistas de mercado quanto às mudanças de rumo e de prumo que têm tomado forma nos últimos três anos. A rigor, no 3º aniversário, completado hoje, da quebra formal do Lehman Brothers, predomina entre os porta-vozes do mercado financeiro a mesma postura de superioridade que ao longo dos anos dourados do crescimento mundial influenciou formadores de opinião, o mundo acadêmico e a política econômica do governo. A impressão que se tem, pelo menos por aqui, é a de que a ficha não caiu!

No entanto, o quadro é outro. São absolutamente vãs as tentativas no sentido de “enquadrar a crise”. Assim como são vãs, além de fundamentalmente equivocadas, as análises que teimam em ler os dados conjunturais de hoje com os mesmos olhos que guiaram opiniões e comentários no passado recente. Fizeram sentido até a “explosão” do sistema financeiro nos Estados Unidos, em 2008. Ocorre que a crise pegou no fundo justamente do segmento que mais evidência teve no cenário econômico e financeiro nos anos 90 e em boa parte da década passada. Junto, foram afetados princípios, crenças, dogmas e comportamentos. Mas nem todos se aperceberam disso, por inércia ou por omissão. [ leia mais ]

18 de agosto de 2011
Retórica não é solução para o euro

(publicado no jornal Valor Econômico em 18/08/2011)

Retórica, nada além de retórica, é o que os principais líderes do mundo desenvolvido, assim chamado, têm a apresentar na expectativa de que palavras e promessas possam resolver a grave situação econômica dos Estados Unidos e da Europa. Não há dúvida de que esta última enfrenta um cenário profundamente mais complicado do que a economia americana, emissora soberana de uma moeda que, embora desvalorizada, mantém-se como a principal reserva de valor e de troca no mercado financeiro internacional.

Já os europeus, mergulhados em movimentos de protesto popular liderados por jovens em busca de emprego e de autoafirmação, parecem jogados em um saco sem fundo. Quanto mais os líderes se reúnem, mais complicado fica o quadro. Ontem, um dia após mais um dos frustrados encontros entre o presidente Sarkozy e a chanceler Merkel, uma notícia preocupante envolvendo um banco europeu, conforme foi divulgada pelo “Financial Times”, fez brilhar com mais intensidade a luz amarela que paira sobre a região do euro. [ leia mais ]

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17 de junho de 2010
Para onde vai o euro?

(publicado no jornal Valor Econômico em 17/06/2010)

A crise econômico-financeira que afeta boa parte dos países integrantes da zona do euro começa a contaminar a credibilidade da moeda entre os cidadãos da própria área da união monetária.

Aqui e ali, movimentos contra o euro, inimagináveis há menos de um ano, têm surgido com grande repercussão. Em Berlim, ganha destaque uma campanha popular pela volta do marco alemão. A indignação da opinião pública contra a ajuda financeira concedida à Grécia é geral e já atinge fortemente a reputação política da presidente Angela Merkel e dos dirigentes da União Europeia. Os cidadãos alemães já pagaram caro, nos últimos anos, pela unificação do país, pela política interna de aumento de produtividade e pelas restrições impostas às aposentadorias e não estão satisfeitos em assumir mais um custo que, a rigor, não lhes diz respeito. [ leia mais ]

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12 de abril de 2010
Inflação, diferentes pesos e medidas

(publicado no jornal Valor Econômico em 08/04/2010)

A recente preocupação de alguns analistas e economistas com a inflação carece de pesos e medidas. Tal qual frutos reunidos em uma mesma cesta, independente de tamanho, formato, paladar e cor, peca-se pela generalização e, ainda, pela pressa em avaliar comportamentos econômicos como se fizessem, todos, parte da mesma horda.

O equívoco analítico com certeza tem raízes no passado recente, quando o mundo ainda passava pelas transformações provocadas pela queda do muro de Berlim e pelo desaparecimento do estado soviético. Rapidamente, com a ajuda do avanço da internet, verificou-se o encurtamento das distâncias, a proximidade de desejos e anseios e a integração econômica. Guardadas as devidas proporções, o senso comum passou a acreditar que se viveria para sempre com prosperidade e estabilidade em qualquer parte do mundo.

A crise financeira do final do ano passado veio quebrar o encanto. Como que despertado de um sonho de fadas, o mundo percebeu que a realidade continua dura e que exige sacrifícios de quem quer alcançar a virtude do bem-estar. Mas a crise comprovou também o que sempre se soube, mas andava esquecido: que a realidade varia em função do lugar, da circunstância e do potencial de cada um. Nesse sentido, a diversidade de situações que hoje se verifica entre países e regiões exige cautela na análise dos fatos econômicos e suas perspectivas para o médio e o longo prazos. [ leia mais ]

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