Posts com a Tag ‘desvalorização’

15 de fevereiro de 2016
O PIB, a inflação e os juros

por Maria Clara R. M. do Prado

(publicado em 19/01/2016 no Valor Económico)

 

Qualquer outro país que apresentasse dois anos consecutivos de queda do PIB, com níveis de retração estimada nada triviais, após um período de estagnação (em 2014, o produto brasileiro arrematou mísero 0,1% positivo), tenderia a contabilizar inflação em queda e, eventualmente, até deflação. No Brasil deste início de 2016, no entanto, prevalece uma conjugação atípica onde os preços sobem em situação de significativo decréscimo da atividade econômica.

Vale notar que desde o início do século XX, apenas em uma outra ocasião o PIB brasileiro teve recuo em dois anos seguidos: em 1930, com menos 2,1%, e em 1931, com menos 3,3%, de acordo com um antigo trabalho de Claudio Haddad – “Crescimento do PIB real no Brasil – 1900 a 1947” – que buscou calcular a evolução do produto na primeira metade do século passado, a partir do levantamento e análise de outros indicadores econômicos disponíveis. Até hoje, os dados de Haddad são usados como referência para a evolução do PIB antes de 1947, a partir de quando começa a série oficial do IBGE.

As explicações para a atipicidade de alta inflação com PIB retraído são várias e conhecidas. A recomposição das tarifas represadas em anos anteriores, como o preço da energia elétrica; a forte estrutura de indexação que teima em subsistir no setor de serviços, o efeito da desvalorização do Real e o aumento ocorrido nos preços dos alimentos por motivos variados são as mais citadas, além do clima de incerteza política que contribui para afetar negativamente as expectativas e a impactar os preços.

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13 de fevereiro de 2015
O perigo de uma crise cambial

por Maria Clara R. M. do Prado

(publicado no Valor Econômico em 18/12/2014)

 

Há doze meses, enquanto se escrevia o texto desta coluna, o dólar disparava e o mercado vivia em alvoroço. Ninguém acreditava que 2014 seria um ano fácil. Naquele dezembro de 2013, o dólar comercial atingiu o seu auge no dia 20, tendo fechado em R$ 2,385, com alta de 1,583% sobre a cotação da véspera. Jogavam-se todas as fichas na desvalorização do Real.

Mas nenhuma alma chegou a imaginar que um ano depois o dólar superaria os R$ 2,70. Muito menos, que a principal empresa brasileira, a Petrobrás, se veria enredada em um estrepitoso escândalo de corrupção, o maior de que se tem notícia no meio empresarial do país.

E o pior ainda está por vir. Com a crise da Rússia batendo à porta e uma Europa que ainda não conseguiu recuperar-se do baque de 2008, o risco do Brasil caminhar para uma situação de descontrole cambial é muito alto. A mesma Petrobrás, que no passado ajudou a sedimentar a credibilidade do país no exterior, contribui agora para macular a imagem e as expectativas com relação ao Brasil. A moeda é a primeira a derreter.       [ leia mais ]