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13 de fevereiro de 2015
A inflação e o ajuste fiscal

por Maria Clara R. M. do Prado

(publicado no Valor Econômico em 15/01/2015)

 

Com inflação acima de 6% em doze meses (medida pelo IPCA) e déficit público em torno de 6%, considerando o critério nominal que soma o efeito dos juros – que, efetivamente, é o que interessa – o país começa 2015 com uma curiosa e indesejada paridade de indicadores.

Traze-los para baixo, concomitantemente, no médio prazo, é tarefa hercúlea para não dizer impossível, considerando as características dos ajustes que precisam ser feitos no campo fiscal. São muitos os esqueletos a serem tirados de dentro do armário, para usar a expressão preferida  do economista José Roberto Mendonça de Barros, quando exercia a função de Secretário de Política Econômica na segunda metade dos anos 90 e buscava quantificar os passivos escondidos do setor público.

Sem entrar no mérito das artimanhas fiscais eventualmente usadas para retardar a apropriação de passivos no orçamento público nos últimos anos e sem considerar o terreno movediço das incestuosas relações entre o Tesouro Nacional e o Banco Central, a  tarefa deste governo é aparentemente mais fácil. Basta eliminar as desonerações de modo a repor a tributação de volta aos seus devidos lugares, se efetivamente houver a intenção de recompor a incidência tributária nos setores que foram premiados com vantagens fiscais. Isso, obviamente, bate na inflação. Não por acaso, projeções de aumento dos preços além do previamente estimado já começam a ser divulgadas pelo setor privado.

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21 de maio de 2012
Muitas dúvidas, poucas respostas

(publicado na edição de 17/05/2012 no jornal Valor Econômico)

A opinião pública brasileira parece estar agora convencida de que o governo Dilma Rousseff, neste segundo ano de mandato, opera a partir de uma substancial transformação na forma de pensar a economia, seus instrumentos e seus objetivos.

Pode-se falar em uma guinada – talvez não de 180º, mas quem sabe de 90°? – revelada não apenas na forma como a política monetária passou a ser administrada, mas também na redefinição pelo governo de seus aliados, com a Febraban sendo publicamente preterida em favor da CNI/Fiesp. Consolidada politicamente na decisão ousada de alterar a regra da remuneração básica da caderneta de poupança, o governo vai aos poucos alargando a porta para uma política econômica que privilegia o crescimento. Está certo? Está errado? Difícil responder a essas perguntas a partir de uma visão puramente técnica, mesmo se considerarmos o controle da inflação como condição necessária a um desenvolvimento sadio e duradouro. [ leia mais ]

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