Posts com a Tag ‘dívida pública’

17 de abril de 2015
Operações compromissadas X dívida pública

por Maria Clara R. M. do Prado

 

O artigo publicado na edição do dia 09/04/2015, no jornal Valor Econômico (ver abaixo), com críticas às operações compromissadas que se realizam no âmbito do Banco Central, suscitou reações diversas, de apoio e também de dúvidas. O tema é, sem dúvida, polêmico, e na maior parte das vezes incompreensível para quem não esteja acostumado a lidar com as tecnicalidades relacionadas ao contexto em que aquelas operações funcionam.

Primeiro, é preciso deixar claro que as operações compromissadas – envolvendo a “venda” ou a “compra” de dinheiro em troca de títulos, com clausula de recompra ou de revenda, conforme o caso – são realizadas universalmente, seja entre os vários agentes que atuam no mercado financeiro, seja nas relações de qualquer banco central com o setor bancário.

Sua importância na administração da política monetária é, no entanto, crucial. Através delas é que se regula o nível da liquidez da economia (disponibilidade de moeda), de modo a evitar que os juros caiam abaixo do patamar mínimo estabelecido pelo BC (no caso de liquidez abundante) ou que o dinheiro encareça em demasiado, comprometendo inclusive o custo da dívida pública.

No Brasil, as operações compromissadas têm algumas peculiaridades que acabam por distorcer a função central de instrumento regulador da liquidez e, por via de consequência, os juros e a própria inflação.

O primeiro problema é a estreita relação existente entre o Banco Central e o Tesouro Nacional. Apesar do desaparecimento da conta-movimento no final dos anos 80, pondo fim à atuação do Banco do Brasil como provedor ilimitado de recursos para o governo, funcionando como um canal de financiamento à dívida mobiliária, um ranço de simbiose permanece até hoje.

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13 de abril de 2015
Restam as operações compromissadas

por Maria Clara R. M. do Prado

(publicado no Valor Econômico em 09/04/2015)

 

Saudado com loas e broas nas últimas semanas pelos 50 anos de funcionamento, o Banco Central do Brasil avança no século XXI com a maturidade que se imagina consolidada na chamada meia idade. Não sem razão o aniversário é celebrado. O BC ganhou status de instituição respeitada dentro e fora do país pelo padrão de seu corpo técnico e pelas boas práticas que foi incorporando ao modus operandi da política monetária e da regulação e do sistema financeiro.

A evolução tornou-se possível a partir da estabilidade de 1994, que não foi, no entanto, suficiente. Introduziram-se novas e modernas abordagens que passaram a orientar a atuação dos bancos centrais no mundo a partir da década de 90.

Não faz muito tempo, era outra a situação. Inerte em meio a resistente processo inflacionário, tendo de competir com outros emissores de moeda caracterizados pelos bancos estaduais, confundindo funções com o Tesouro Nacional e sujeito a pressões políticas de toda a ordem, o Banco Central viveu sua década maldita mais acentuada entre o início da chamada Nova República e a efetivação do Plano Real, conforme testemunhada por quem o acompanhou de perto, no dia a dia.

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18 de fevereiro de 2010
À procura de uma mente iluminada

(publicado no jornal Valor Econômico em 18/02/2010)

De um dia para o outro, o sonho europeu de unificação parece ter virado pesadelo. As dificuldades dos gregos em arcar com os compromissos fiscais que fogem em muito ao limite imposto pela União Europeia – UE no Tratado de Maastricht – dívida pública de no máximo 60% do PIB – reacendeu a luz amarela no mundo.

Algumas avaliações e prognósticos dos últimos dias chegam a apontar a criação do euro como um dos vilões responsáveis pelas dificuldades financeiras e econômicas de países que até há muito pouco tempo eram cantados em prosa e em verso como exemplos de virtude econômica como a Espanha e a Irlanda. A Grã-Bretanha, no exíguo reduto da libra, está perdida. Depois de anos de crescimento contínuo, foi um dos países mais atingidos pela crise do subprime e não consegue se erguer. Gordon Brown não sabe o que dizer, muito menos o que fazer. A Alemanha vive momentos delicados. [ leia mais ]