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1 de novembro de 2017
Educação precária, gargalo brasileiro

por Maria Clara R. M. do Prado

(publicado no Valor Econômico em 31/10/2017)

 

Os dados da educação brasileira são estarrecedores, todos sabem. Largamente conhecidos, há séculos, são tratados com indiferença pela grande maioria dos políticos, dos empresários e mesmo entre formadores de opinião no país. Há um certo cansaço diante do tanto que se fala a respeito do assunto e o pouco que se faz para melhorar a qualidade do ensino.

Há anos, as avaliações mostram a piora no desempenho dos alunos dos ensinos fundamental e secundário nas três disciplinas consideradas básicas: matemática, ciências e leitura/redação. Os resultados das provas do ENEM não são animadores. A média das notas é baixa, confirmando uma realidade que resiste a ser enfrentada.

O Enem é um teste feito com alunos das escolas públicas e privadas, cujo resultado só pode ser comparado internamente, ou seja, compara-se o mais ou menos com o ruim.

Quando o nível de aprendizado brasileiro é confrontado com o de outros países, a diferença é gritante. No último PISA (Programa Internacional de Avaliação de Estudantes, coordenado pela OCDE), realizado em 2015 e divulgado no ano passado, os alunos brasileiros avaliados (entre 15 anos e três meses de idade e 16 anos e dois meses de idade) revelaram um grau de ignorância inaceitável: nada menos do que 56,6% dos que participaram do teste de ciências ficaram abaixo do nível básico de proficiência (mínimo considerado como satisfatório), 50,99% não alcançaram o padrão básico no quesito leitura e, pior, 70,25% dos estudantes não conseguiram atingir sequer o desempenho básico no teste de matemática.

A continuar naquele passo, o futuro promete um quadro ainda mais sombrio.

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16 de abril de 2013
A informalidade e o PIB oficial

por Maria Clara R. M. do Prado

Afinal, o PIB do Brasil cresceu 0,9% em 2012 ou ficou acima disso? Que peso tem a economia informal na atividade econômica do país? O PIB teria sido maior se a informalidade entrasse nas estatísticas oficiais?

A questão, colocada à coluna pelo advogado Beno Suchodolski, não é nada trivial. Faz sentido imaginar que o “verdadeiro” PIB possa ser maior do que a taxa de expansão oficial considerando que um pedaço da economia se movimenta no subterrâneo da informalidade, gerando emprego, renda e oportunidades de negócios. Só não gera receita tributária, pois uma das motivações da informalidade é justamente a de fugir do pagamento de impostos e dos custos trabalhistas que oneram a produção.

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27 de fevereiro de 2013
A indústria ainda é importante?

Maria Clara R. M. do Prado

A questão em debate hoje, no Brasil e no mundo, sobre a capacidade do setor industrial em absorver mão de obra merece uma reflexão mais aprofundada. Afinal, qual o perfil e a função da industria nesta segunda década do século XXI? A crise de 2008, ainda com seus tentáculos em operação, terá aprofundado a tendência à especialização no setor produtivo?

Terá a crise contribuído para crivar uma divisão no processo econômico mundial, colocando, de um lado, os centros capazes de produzir com eficiência e alta produtividade, e, de outro, os centros de consumo, grandes compradores finais dos bens e serviços gerados nas economias de maior avanço tecnológico? Afinal, a indústria ainda é importante?

Todas são perguntas que estão na ordem do dia, muito embora versem sobre tema de difícil entendimento dado o processo ainda em curso de uma profunda fase de transição. Uma radiografa do que se passa hoje com o setor industrial no mundo pode ser captada no estudo elaborado pelo Mckinsey Global Institute.

Trata-se do trabalho “Manufacturing the Future: the Next Era of Global Growth and Innovation”. O cenário atual, colhido pelo Mckinsey, já dá uma boa idéia do grau de mudanças que têm assolapado modos e formas no sistema de produção e as conseqüências desses avanços. Alguns dados, aqui resumidos, atestam isso:

. 16% é a fatia do setor industrial na formação mundial do PIB

. Nas economias mais avançadas a quantidade de empregos gerada no setor industrial caiu de 62 milhões, em 2000, para 45 milhões em 2010. A queda é maior no segmento de uso mais intensivo de mão de obra, como a industria têxtil (ver gráfico abaixo).

A demanda global está hoje concentrada nos países menos desenvolvidos. A China dobrou a renda per capita de um bilhão de pessoas nos últimos doze anos, algo que a revolução industrial na Inglaterra levou 150 anos para conseguir, atingindo apenas nove milhões de pessoas.

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18 de agosto de 2011
Retórica não é solução para o euro

(publicado no jornal Valor Econômico em 18/08/2011)

Retórica, nada além de retórica, é o que os principais líderes do mundo desenvolvido, assim chamado, têm a apresentar na expectativa de que palavras e promessas possam resolver a grave situação econômica dos Estados Unidos e da Europa. Não há dúvida de que esta última enfrenta um cenário profundamente mais complicado do que a economia americana, emissora soberana de uma moeda que, embora desvalorizada, mantém-se como a principal reserva de valor e de troca no mercado financeiro internacional.

Já os europeus, mergulhados em movimentos de protesto popular liderados por jovens em busca de emprego e de autoafirmação, parecem jogados em um saco sem fundo. Quanto mais os líderes se reúnem, mais complicado fica o quadro. Ontem, um dia após mais um dos frustrados encontros entre o presidente Sarkozy e a chanceler Merkel, uma notícia preocupante envolvendo um banco europeu, conforme foi divulgada pelo “Financial Times”, fez brilhar com mais intensidade a luz amarela que paira sobre a região do euro. [ leia mais ]

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