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30 de maio de 2017
Real – O plano por trás da História rememora a façanha do Plano Real

(artigo publicado na Revista Época, edição de 22/05/2017, págs. 64 a 67)

MARIA CLARA R. M. DO PRADO

 

Em maio de 1993, recém-instalado no cargo de ministro da Fazenda, Fernando Henrique Cardoso percebeu que tinha pela frente a grande missão de combater a inflação, que crescia em ritmo de espiral e erodia todos os dias o poder de compra da moeda brasileira. Circulava então o cruzeiro, que, em julho daquele ano, virou cruzeiro real. Em março de 1994, há 23 anos portanto, o cruzeiro real ganhou a companhia de uma moeda virtual, a URV – Unidade Real de Valor –, uma espécie de mágica que os brasileiros demoraram a entender e que abriu o caminho para o lançamento de uma nova moeda, o real, em 1º de julho de 1994.

Do ponto de vista político, vivia-se uma fase de incertezas desde a renúncia do ex-presidente Fernando Collor de Mello, no final de 1992. A posse de Itamar Franco na Presidência da República, com o apoio do Congresso Nacional, trouxe certa calmaria, mas não suficiente segurança para destravar o funcionamento da economia e recuperar a confiança da sociedade, ainda traumatizada pelo confisco do Plano Collor.

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12 de março de 2015
Câmbio, juros e inflação

por Maria Clara R. M. do Prado

(publicado no Valor Econômico em 12/03/2015)

 

No atual cenário de crescentes incertezas, onde o agravamento do quadro político complica os esforços de estabilização da economia – e vice-versa, pois um reforça o outro – nada se consegue enxergar adiante, mas a ninguém é dado o direito de pelo menos não desconfiar do que está em jogo e das possíveis consequências político-institucionais que podem trazer danos para todos os brasileiros.

“Brinca-se com o fogo”, “Insufla-se o caos”, “Atiça-se o ódio”. São expressões dos moderados, em muitos casos tardias, que buscam interpretar as furiosas manifestações contra o governo e que devem atingir o ápice com a marcha prevista para o domingo próximo, dia 15. Mas os moderados parecem ser poucos. É bem provável que a mobilização tenha o efeito de fazer sangrar a Presidente Dilma Rousseff, como quer o senador do PSDB, Aloysio Nunes Ferreira, sem entrar em detalhes de como pretende sustentar a maldição.

O fato é que para onde se olha, depara-se com a tônica do “quanto pior, melhor”. Às previsões dos analistas financeiros não escapa o tom de pessimismo, retratado na expectativa de inflação em torno de 7% – bem acima do núcleo da meta, que é de 4,5% medida pela variação do IPCA – e de que o déficit público, malgrado todos os esforços do Ministério da Fazenda, continue elevado, comprometendo a promessa de chegar ao superávit primário no final do ano.

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