Posts com a Tag ‘expectativas’

12 de maio de 2016
Pela urgência da reforma política

por Maria Clara R. M. do Prado

(publicado no Valor Econômico em 12/05/2016)

 

Não é de hoje que o Brasil é um país dividido. Não por ideologia, mas pela renda mal distribuída, pela assimetria no acesso às oportunidades, pelas péssimas condições da educação pública, idem para os cuidados com a saúde e com o saneamento, enfim… nada de que já não se saiba. Malgrado os discursos a favor do progresso e do desenvolvimento, há algo de atávico na sociedade brasileira que puxa para trás.

O status quo perdura pela influencia de poderosos grupos apegados a privilégios e interesses individuais e, portanto, ao atraso. Rupturas sociais são, em geral, processos demorados, sofridos e conflituosos. A sociedade, no entanto, evolui independentemente da vontade de A ou B. Por consenso ou por conflito.

Desde a redemocratização, foram três os grandes saltos que, por consenso, garantiram avanços sociais, econômicos e institucionais ao país. Um deles levou à Constituição de 1988. Foi o primeiro grande pacto político a partir de 1985. Garantiu direitos sociais e econômicos à população, criou o Superior Tribunal de Justiça (STJ), além de fortalecer e conferir independência ao Ministério Público, fundamental para as investigações relacionadas à corrupção no país.

Mas de pouco adiantava a letra escrita na chamada Carta Magna diante de uma inflação que corria solta, a galope. Após fracassados projetos de estabilização e ideias mirabolantes (caça aos marajás), outro grande salto surgiu com o entendimento político arrematado em 1993 entre o PSDB e o antigo PFL, com apoio de empresários, trabalhadores e da mídia, culminando no Plano Real. A percepção generalizada de que a inflação chegara ao limite viabilizou o segundo pacto político desta era democrática.

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2 de julho de 2014
Mais igualdade, mais democracia: o caso do Brasil

“More Equality, More Democracy: the Case of Brazil” 

de autoria de Maria Clara R. M. do Prado

 

Projeto apresentado no dia 26 de junho de 2014, resultado do fellowship desenvolvido junto ao NED – National Endowment of Democracy – uma organização sem fins lucrativos que funciona em Washington, DC, como um think tank na promoção e no estudo da democracia, suas causas e consequências para o desenvolvimento político e económico, e para a melhoria do padrão da sociedade.

Algumas observações feitas durante a apresentação do projeto:

 O Brasil vive hoje o mais contínuo período de democracia de sua história e também uma    fase fértil de avanços econômicos e sociais que tem garantido significativa melhoria no  padrão de vida da imensa massa de brasileiros das classes de renda mais baixas.

 

 

Não é uma coincidência.

A consolidação da democracia cria oportunidades para uma maior participação política, enquanto que a melhoria da distribuição de renda abre perspectivas para maior acesso às oportunidades e para a ascensão social. Uma reforça a outra!

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24 de janeiro de 2014
Dicotomias brasileiras

por Maria Clara R. M. do Prado

(publicado em 23/01/2014 no Valor Econômico)

 

A dicotomia tem imperado no Brasil. Seja no campo das expectativas, seja no mundo real dos fatos econômicos.

As expectativas ajudam a moldar o futuro mais imediato e de médio prazo. Começaram a ganhar maior relevância a partir dos anos 60 da década passada, quando os economistas “descobriram” o papel das expectativas racionais no desempenho dos modelos e das políticas econômicas.

Aquilo que as pessoas acreditam que possa acontecer, acaba de alguma forma acontecendo porque a maioria passa a se comportar a partir da expectativa predominante. O relatório Focus, por meio do qual o Banco Central busca levantar as projeções dos representantes do sistema financeiro para o comportamento das principais variáveis econômicas, nada mais é do que uma prova da importância das expectativas para a condução da política econômica.

Sua melhor utilidade ocorre quando o governo consegue guiar as expectativas de modo a que convirjam para os objetivos desejados. Sua pior utilidade é quando as expectativas passam a guiar a economia de modo a comprometer os objetivos desejados pelo governo.

A última alternativa tem prevalecido. Se não, que outra interpretação se poderia dar à reação do mercado, manifestada no boletim Focus e em análises avulsas, que mantiveram as projeções de inflação em alta mesmo depois de o BC ter aumentado para 10,5% a Selic, a taxa de juros de curto prazo? Note-se que o acréscimo de 0,5 ponto percentual veio bem acima daquilo que o próprio mercado esperava. O impacto nas expectativas, no entanto, foi pequeno.

Continua-se trabalhando com a hipótese de que os juros não vão subir muito mais porque a presidente não quer, e de que a inflação, por isso mesmo, permanecerá ascendente.

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27 de dezembro de 2013
Um PIB melhor para 2014

por Maria Clara R. M. do Prado

(publicado em 19/12/13 no Valor Econômico)

Não bastasse 2014 ser um ano de eleições majoritárias no país, a política econômica terá de se ajustar, no tato, ao processo de redução da liquidez que o Fed vem injetando na economia americana, em somas cavalares, desde 2008.

O governo brasileiro precisa mostrar-se eficiente naquilo em que é mais vulnerável: a incapacidade de enxergar adiante e de se antecipar aos fatos de forma organizada e coerente. Junte-se a isso um sério problema de comunicação, além de uma inacreditável dose de trapalhadas absolutamente desnecessárias, e está montado o cenário ideal para os especuladores que ficam à espreita, esperando a hora de atacar, sem a menor preocupação com os níveis de classificação de risco da dívida soberana, se estão em AA, A ou B.

Os comprados em dólar apostam na alta da taxa de câmbio. Quanto mais se propaga a piora do cenário econômico, mais ganham. Previsões ruins plantam mais incerteza e mais desvalorização cambial em terreno fértil. O ciclo se autoalimenta com a ajuda de desavisados que ajudam com o mau agouro.

Não há dúvida de que o governo é o principal responsável pela situação pois, não se sabe bem o motivo, insiste em agir de forma a contribuir para a disseminação das más notícias. O ponto crucial está no gerenciamento das contas públicas, cujo superávit primário deste ano acabou por ganhar um fôlego favorável com a nova rodada do Refis e os recolhimentos da Vale. Cabe ao governo cuidar para que as contas não descarrilhem inexoravelmente no ano que vem.

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