Posts com a Tag ‘FMI’

30 de maio de 2017
Real – O plano por trás da História rememora a façanha do Plano Real

(artigo publicado na Revista Época, edição de 22/05/2017, págs. 64 a 67)

MARIA CLARA R. M. DO PRADO

 

Em maio de 1993, recém-instalado no cargo de ministro da Fazenda, Fernando Henrique Cardoso percebeu que tinha pela frente a grande missão de combater a inflação, que crescia em ritmo de espiral e erodia todos os dias o poder de compra da moeda brasileira. Circulava então o cruzeiro, que, em julho daquele ano, virou cruzeiro real. Em março de 1994, há 23 anos portanto, o cruzeiro real ganhou a companhia de uma moeda virtual, a URV – Unidade Real de Valor –, uma espécie de mágica que os brasileiros demoraram a entender e que abriu o caminho para o lançamento de uma nova moeda, o real, em 1º de julho de 1994.

Do ponto de vista político, vivia-se uma fase de incertezas desde a renúncia do ex-presidente Fernando Collor de Mello, no final de 1992. A posse de Itamar Franco na Presidência da República, com o apoio do Congresso Nacional, trouxe certa calmaria, mas não suficiente segurança para destravar o funcionamento da economia e recuperar a confiança da sociedade, ainda traumatizada pelo confisco do Plano Collor.

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13 de outubro de 2016
Recomendações Difíceis de Conciliar

por Maria Clara R. M. do Prado

(publicado no Valor Económico em 13/10/2016)

 

Uma incompatibilidade de essência nas políticas sugeridas para tirar o mundo da estagnação económica sobressai nos discursos, entrevistas e publicações dadas a conhecimento público ao longo da reunião anual do FMI e do Banco Mundial, encerrada esta semana em Washington.

Com ênfase – e a diretora-gerente do FMI, Christine Lagarde, marcou posição no tema – chamou-se atenção para a necessidade urgente de políticas direcionadas à maior inclusão social da população que ficou à margem do processo de globalização e aos desempregados da crise financeira deflagrada em 2008.  As recomendações apontaram para a volta dos benefícios sociais e o aumento dos gastos fiscais com as camadas de renda mais baixa de modo a serem reintegradas ao processo económico.

Em direção oposta, o mesmo FMI instou os representantes dos 189 países-membros a atuarem com vistas a manterem em curso as políticas de abertura económica, de cooperação internacional e de livre fluxo de bens, capitais e recursos humanos em prol da sobrevivência da globalização.

Em verdade, as recomendações colocam os governos diante de um impasse: ou bem se resgata as políticas intervencionistas que predominaram nos anos 70 e 80 do século XX, com esquemas de proteção social e benefícios às classes consideradas mais pobres e necessitadas da sociedade, ou bem se opta por reafirmar as iniciativas de cunho liberal que deixaram na mão dos mercados a decisão sobre onde e como alocar os recursos económicos disponíveis.

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21 de março de 2013
Desastrada proposta da UE

Maria Clara R. M. do Prado

(publicado em 21/03/2013 no Valor Econômico)

De tudo o que se viu até aqui desde o aprofundamento da crise na zona do euro, com o potencial default da Grécia – lá se vão três anos – nada é tão dramático e tão bombástico quanto a desastrada solução arquitetada pela cúpula da União Europeia, com o apoio do Fundo Monetário Internacional (FMI), para Chipre.

Desastrada, em princípio, pelo inusitado precedente do confisco sobre os depósitos bancários dos cipriotas. Por qualquer lado que se analise, a proposta europeia não tem pé e nem cabeça porque, ao contrário do que aconteceu com o cruzeiro no Plano Collor e com o peso argentino na época do “corralito”, o confisco sugerido como se fora uma “contribuição” da sociedade local na solução dos problemas financeiros dos bancos e do governo jamais ficaria limitado, em suas consequências, às fronteiras de Chipre. O euro é uma moeda única para toda a zona europeia que optou por aderir ao modelo da unificação monetária.

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19 de abril de 2012
Fim da bonança das commodities?

(publicado no jornal Valor Econômico em 19/03/2012)

Como que pisando em areia movediça, o Fundo Monetário Internacional (FMI) declara que a economia mundial tende a crescer mais em 2012 e em 2013, mas diz também que sérios riscos continuam presentes, principalmente na zona do euro. De fato, um relatório divulgado ontem indica que os bancos europeus continuam sob forte pressão. A isso se somam as desanimadoras perspectivas de crescimento para a região em 2012 que desta vez atingem também a Alemanha (apenas 0,6% de expansão) e a França (0,5% de incremento), sem falar nos demais países que continuam mergulhados em ondas de desconfiança. [ leia mais ]

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21 de outubro de 2010
Real permanece no curto prazo

(publicado no jornal Valor Econômico em 21/10/2010)

Nos idos do início dos anos 90, quando o Brasil era refém dos bancos credores internacionais, patinho feio no Fundo Monetário Internacional (FMI) e devedor do Clube de Paris, o então diretor da área internacional do Banco Central (BC), Armínio Fraga, surpreendeu meio mundo ao afirmar em audiência no Congresso Nacional que o país precisava de capital externo para se financiar e que isso implicava ter algum déficit na conta corrente do balanço de pagamentos.

A declaração de Armínio destoou da crença geral, alimentada pelo FMI, segundo a qual o Brasil teria de produzir sucessivos superávits em conta corrente para contrabalançar o desarranjo de suas contas externas que se arrastava já há dez anos, desde a moratória de 1982. A situação era dramática: sem capital externo para financiar o crescimento, com o PIB patinando, o país dirigia todos os esforços à geração de saldo positivo na balança comercial. Dessa forma, conseguia receita em dólares para cobrir as pendências que sangravam a conta de capital. [ leia mais ]