Posts com a Tag ‘fronteira’

21 de outubro de 2015
Fundamentos da UE sob ameaça

por Maria Clara R. M. do Prado

(publicada em 17/09/2015 no Valor Econômico)

 

Constituída a partir de um processo madurado ao longo de anos com o objetivo da estabilidade e da segurança regional, no rastro da destruição deixada pela Segunda Guerra Mundial, a União Européia está com os fundamentos colocados à prova pela africanos leva de refugiados que buscam melhores condições de vida no “Velho Continente”.

Muitos são os aspectos envolvidos na situação que deve introduzir este ano, só na Alemanha, de acordo com diversos cálculos, cerca de um milhão de refugiados, especialmente originários da Síria, mas também do Afeganistão, do Paquistão, além de outros países, incluindo os africanos.

Parece claro, para começar, que o ideal de livre mobilidade de pessoas dentro da UE, formalizado pelo Tratado de Schengen ficou comprometido com as decisões tomadas nesta semana por alguns países dos Balcãs, além da Hungria, da Áustria, da Holanda e da própria Alemanha, de reintroduzirem controles nas fronteiras. A iniciativa Schengen, incorporada dentro da UE em 1997, representou um importante passo para a consolidação da zona de livre comércio definida nos primórdios como Comunidade Econômica Européia.

A liberalização do movimento da mão de obra introduzida pelo espaço Schengen funcionou como um reforço à movimentação livre de bens e serviços. O terceiro pé do alicerce que buscou amarrar o “ideal” de uma Europa unida surgiu em 1999 com o lançamento do euro. Como se sabe, nem todos os países da UE aderiram à moeda européia. Alguns não quiseram, como é o caso da Grã-Bretanha, e outros não puderam.

[ leia mais ]

15 de abril de 2014
O que fazer com o Putin?

por Maria Clara R. M. do Prado

(publicado em 20/03/2014 no Valor Econômico)

Não bastasse o desgaste político para colocar de pé o chamado “Obamacare” – o programa de seguro saúde aprovado pela Lei de Proteção ao Paciente e Tratamento Acessível -, o presidente Barack Obama confronta-se com um novo e grande problema sem solução imediata à vista: o que fazer com Vladimir Putin?

Ambas as questões, em seus devidos contextos, minam a liderança do presidente dos Estados Unidos e reforçam a percepção de fragilidade do governo por parte dos americanos. Obama atravessa período difícil, sujeito a críticas de todos os lados e alvo de uma insatisfação crescente.

A propaganda contra o “Obamacare” é pesada. Ela se manifesta nas declarações dos republicanos e na maciça campanha na mídia patrocinada por associações ligadas às seguradoras privadas. O prazo de adesão ao programa, que prevê a obrigatoriedade de seguro saúde para todos os americanos, termina no final deste mês. Quem ficar de fora terá de pagar multa, mas o programa é complexo demais, inovador demais e não ganhou a confiança da população.

Alguns especialistas acham que o tempo provará os benefícios do “Obamacare” para a sociedade em geral e, em especial, para boa parte dos desassistidos, estimados em cerca de 15% da população.

O problema é que o tempo para Obama pode ser demasiado tarde. O governo está a poucas cadeiras de perder para o partido Republicano a maioria de assentos no Senado nas eleições de novembro. Isso atrapalharia a vida dos democratas, com a perspectiva de dias ainda piores para o presidente no período de dois anos de mandato que lhe resta cumprir.

[ leia mais ]