Posts com a Tag ‘“impeachment”’

15 de abril de 2016
Mais caos ou soluções?

por Maria Clara R. M. do Prado

(publicado em 14/04/2016 no Valor Econômico)

Quem quer que venha a vencer a eleição presidencial indireta em que se transformou o atual processo de impeachment em curso no Congresso Nacional, terá a obrigação de atender aos anseios imediatos da sociedade. Um governo formado acima dos interesses partidários e além das vaidades pessoais é o que se espera. Isso não é absolutamente impossível, mas com certeza está longe de ser uma expectativa realista.

Muito provavelmente, se conseguir manter-se no cargo, a presidente Dilma Rousseff consolidará sua posição de refém do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, sujeita a um projeto econômico que atenda os interesses políticos do PT.

Por outro lado, se conseguir assumir o cargo de Presidente da República, o senador Michel Temer passará a devedor do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, pelos serviços prestados ao processo de impeachment. Temer estará comprometido com os políticos que o tiverem catapultado ao cargo máximo da hierarquia republicana.

No entanto, apesar dos vícios e dos compromissos políticos, Dilma promete um grande acordo nacional para reorganizar o país, enquanto Temer fala em um governo de salvação nacional. São retóricas que beiram o oportunismo diante do caos instalado na política, na economia e, não tardará muito, no tecido social que dá sinais de esgarçamento.

Ao invés de retórica, o país precisa de ação rápida, profunda e definitiva.

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13 de agosto de 2015
O PSDB e o pacto político

Maria Clara R. M. do Prado

(publicado em 13/08/2015 no Valor Econômico)

 

Melhor fariam os políticos honestos do Brasil – não se sabe quantos seriam, mas com certeza ainda existem alguns – se, ao invés de conspirarem em proveito próprio, passassem a trabalhar com a idéia de articular um grande pacto político em prol das reformas necessárias ao desenvolvimento do país, em especial a reforma política.

Com Dilma ou sem Dilma, o momento de tensão que tem sacudido ânimos e desânimos se apresenta como uma daquelas raras oportunidades que, bem aproveitadas, podem garantir grandes avanços. O Brasil encontra-se em uma encruzilhada política, nitidamente resultante da falência do modelo de consenso que viabilizou o transcurso pacífico da ditadura para a democracia nos anos 80.

O modelo agoniza. Ninguém imagina que faça sentido ter no Congresso Nacional vinte e oito diferentes partidos políticos, muitos dos quais só funcionam à base da troca de interesses paroquiais e pessoais.

Alguns políticos ainda lutam com unhas e dentes pela sobrevivência, apelando inclusive à tática da ameaça e da chantagem, mas as chances de se firmarem são mínimas. Quem se juntar a esses tipos, apostando no vale tudo inconsequente, estará fadado a submergir junto.

Aquele é o risco que corre o senador Aécio Neves que, inconformado com o resultado das últimas eleições presidenciais, tem pregado novas eleições a partir da expectativa de impugnação do mandato da presidente Dilma Rousseff. Sua tese, no entanto, implica na impugnação também do vice-presidente Michel Temer, pois só assim o caminho estaria livre para a convocação de eleições antes de 2018, fora, portanto, do calendário eleitoral.

Sem que se aprofunde aqui uma análise sobre o comportamento do senador e sem entrar no mérito da justificativa ou não dos “impeachments” da presidente e do vice-presidente, é preciso destacar algumas das complicadas implicações da tese da antecipação das eleições.

Primeiro, o resultado de um novo pleito na situação de densa confusão política em que se encontra o país poderia ser qualquer um.

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