Posts com a Tag ‘Lava-Jato’

27 de junho de 2017
Recessão mantém preços em baixa

por Maria Clara R. M. do Prado

(publicado no Valor Econômico em 27/06/2017)

 

A continuada queda da inflação brasileira – a deflação já atingiu os IGPs e pode chegar ao IPCA de junho, segundo alguns analistas – tem suscitado divergência de opinião quanto às causas. O presidente do Banco Central, Ilan Goldfjan, em entrevista a este jornal publicada na edição de sexta-feira, sustentou que o comportamento da inflação descendente no Brasil comprova a tese de que “juros derrubam preços”.

Para outros economistas, o acentuado processo de redução dos preços no país decorre da recessão que comeu pelo menos 9% do PIB desde o segundo trimestre de 2014.

O declínio da taxa Selic observado desde agosto do ano passado – o nível de 14,25% do juro básico ao ano baixou para 10,25% em fins de maio – buscou compatibilizar o preço do dinheiro à redução observada nos preços dos bens e serviços. Poderia ter caído mais, muito provavelmente, não fosse a persistência do quadro de insegurança política.

A taxa nominal do juro pode cair até o ponto em que não comprometa a atratividade da taxa de juro real (descontada a inflação).

A rigor, a política monetária tem procurado adaptar-se ao processo acelerado de baixa da inflação cuja rapidez não foi prevista por ninguém há cerca de três meses. Ao acentuar os percentuais de queda dos juros, o BC tenta trazer a taxa para patamares mais condizentes com a realidade de recessão do país, mas não tem conseguido a mesma sintonia com a taxa do juro básico em termos reais. Este mantém-se em níveis extremamente elevados para padrões internacionais.

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8 de setembro de 2016
O golpe e a corrupção

por Maria Clara R. M. do Prado

(publicado em 08/09/2016 no Valor Econômico)

 

A palavra golpe entrou na conversa do dia a dia no país. Golpe ou não golpe? Há os que a difundem nas manifestações de rua, nas plataformas digitais ou nas rodas de botequim. São os que repudiam a destituição da ex-presidente Dilma Rousseff, convencidos de que ela foi vítima de uma decisão que afronta a Constituição.

Há os que, defensores do afastamento, alimentam a estranha crença de que, proibindo o uso da palavra golpe – como ocorreu durante os jogos olímpicos – ou valendo-se da coerção física contra quem a usa, a farão desaparecer da boca dos brasileiros, como em passe de mágica.

Estranha e conflitante crença que, ao defender preceitos constitucionais afetos à substância e ao rito do “impeachment”, confronta a própria Constituição que nos artigos 1º, 5º e 220º garante a liberdade de pensamento e de expressão e veda toda e qualquer censura de natureza política, ideológica ou artística. Além de anticonstitucional, é inócua, pois ao insistir-se em abafar os ecos da expressão golpe, está-se apenas contribuindo para difundi-la ainda mais.

O termo não tem frequentado apenas as conversas corriqueiras dos brasileiros. Está na mídia internacional que além da expressão golpe tem associado o Brasil a outra palavra, menos controversa, mas altamente comprometedora, a corrupção.

Há uma relação entre elas. Não seria uma tentativa de golpe as artimanhas invocadas sucessivamente na tentativa de evitar a cassação do deputado Eduardo Cunha, envolvido em inúmeros casos indicativos de corrupção, sendo ele mesmo já réu junto ao Supremo Tribunal Federal (STF)?

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15 de abril de 2016
Mais caos ou soluções?

por Maria Clara R. M. do Prado

(publicado em 14/04/2016 no Valor Econômico)

Quem quer que venha a vencer a eleição presidencial indireta em que se transformou o atual processo de impeachment em curso no Congresso Nacional, terá a obrigação de atender aos anseios imediatos da sociedade. Um governo formado acima dos interesses partidários e além das vaidades pessoais é o que se espera. Isso não é absolutamente impossível, mas com certeza está longe de ser uma expectativa realista.

Muito provavelmente, se conseguir manter-se no cargo, a presidente Dilma Rousseff consolidará sua posição de refém do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, sujeita a um projeto econômico que atenda os interesses políticos do PT.

Por outro lado, se conseguir assumir o cargo de Presidente da República, o senador Michel Temer passará a devedor do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, pelos serviços prestados ao processo de impeachment. Temer estará comprometido com os políticos que o tiverem catapultado ao cargo máximo da hierarquia republicana.

No entanto, apesar dos vícios e dos compromissos políticos, Dilma promete um grande acordo nacional para reorganizar o país, enquanto Temer fala em um governo de salvação nacional. São retóricas que beiram o oportunismo diante do caos instalado na política, na economia e, não tardará muito, no tecido social que dá sinais de esgarçamento.

Ao invés de retórica, o país precisa de ação rápida, profunda e definitiva.

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