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21 de janeiro de 2013
Valor agregado no comércio externo

Maria Clara R. M. do Prado

Um celular do tipo smartphone exportado pela China para os Estados Unidos pelo valor de US$ 100 tem, em geral, de US$ 10 a US$ 20 de produtos de origem chinesa. O resto vem de outros países. São produtos e serviços que a China importa na forma de partes, componentes, design ou outros tipos para produzir o celular e vendê-lo totalmente montado para o mercado norte-americano.

Na balança comercial da China, aquele celular será computado como receita no valor de US$ 100. No entanto, quando medido em termos de valor agregado aquela exportação terá efetivamente rendido à China muito menos, ou seja, 10% a 20% do valor bruto total.

Aquele é apenas um exemplo captado pelo novo sistema de mensuração do comércio externo mundial, montado pela Organização Mundial do Comércio (OMC) em parceria com a OCDE (Organização para a Cooperação do Desenvolvimento Econômico). O objetivo é obter informações sobre o comércio internacional a partir do conceito de valor agregado (VA). Ou seja, uma tentativa de medir quanto foi alocado de produto importado nas diversas etapas da cadeia de oferta de produtos finais e de serviços entre os países.

O resultado da aplicação da nova estatística apresentada na semana passada pela parceria OMC-OCDE mostra o grau de internacionalização comercial entre os diferentes países e ajuda a entender melhor o efetivo papel do comércio externo na geração da renda e dos empregos. [ leia mais ]

12 de abril de 2010
Inflação, diferentes pesos e medidas

(publicado no jornal Valor Econômico em 08/04/2010)

A recente preocupação de alguns analistas e economistas com a inflação carece de pesos e medidas. Tal qual frutos reunidos em uma mesma cesta, independente de tamanho, formato, paladar e cor, peca-se pela generalização e, ainda, pela pressa em avaliar comportamentos econômicos como se fizessem, todos, parte da mesma horda.

O equívoco analítico com certeza tem raízes no passado recente, quando o mundo ainda passava pelas transformações provocadas pela queda do muro de Berlim e pelo desaparecimento do estado soviético. Rapidamente, com a ajuda do avanço da internet, verificou-se o encurtamento das distâncias, a proximidade de desejos e anseios e a integração econômica. Guardadas as devidas proporções, o senso comum passou a acreditar que se viveria para sempre com prosperidade e estabilidade em qualquer parte do mundo.

A crise financeira do final do ano passado veio quebrar o encanto. Como que despertado de um sonho de fadas, o mundo percebeu que a realidade continua dura e que exige sacrifícios de quem quer alcançar a virtude do bem-estar. Mas a crise comprovou também o que sempre se soube, mas andava esquecido: que a realidade varia em função do lugar, da circunstância e do potencial de cada um. Nesse sentido, a diversidade de situações que hoje se verifica entre países e regiões exige cautela na análise dos fatos econômicos e suas perspectivas para o médio e o longo prazos. [ leia mais ]

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