Posts com a Tag ‘OCDE’

8 de setembro de 2016
O golpe e a corrupção

por Maria Clara R. M. do Prado

(publicado em 08/09/2016 no Valor Econômico)

 

A palavra golpe entrou na conversa do dia a dia no país. Golpe ou não golpe? Há os que a difundem nas manifestações de rua, nas plataformas digitais ou nas rodas de botequim. São os que repudiam a destituição da ex-presidente Dilma Rousseff, convencidos de que ela foi vítima de uma decisão que afronta a Constituição.

Há os que, defensores do afastamento, alimentam a estranha crença de que, proibindo o uso da palavra golpe – como ocorreu durante os jogos olímpicos – ou valendo-se da coerção física contra quem a usa, a farão desaparecer da boca dos brasileiros, como em passe de mágica.

Estranha e conflitante crença que, ao defender preceitos constitucionais afetos à substância e ao rito do “impeachment”, confronta a própria Constituição que nos artigos 1º, 5º e 220º garante a liberdade de pensamento e de expressão e veda toda e qualquer censura de natureza política, ideológica ou artística. Além de anticonstitucional, é inócua, pois ao insistir-se em abafar os ecos da expressão golpe, está-se apenas contribuindo para difundi-la ainda mais.

O termo não tem frequentado apenas as conversas corriqueiras dos brasileiros. Está na mídia internacional que além da expressão golpe tem associado o Brasil a outra palavra, menos controversa, mas altamente comprometedora, a corrupção.

Há uma relação entre elas. Não seria uma tentativa de golpe as artimanhas invocadas sucessivamente na tentativa de evitar a cassação do deputado Eduardo Cunha, envolvido em inúmeros casos indicativos de corrupção, sendo ele mesmo já réu junto ao Supremo Tribunal Federal (STF)?

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21 de novembro de 2014
As polêmicas da USP

por Maria Clara R. M. do Prado

(publicado no Valor Econômico em 20/11/2014)

 

Por si, dado o grau da selvageria, as denúncias de estupro envolvendo estudantes da USP já seria motivo mais do que suficiente para manchar a reputação do centro universitário cujo nível de ensino tem sido o mais bem avaliado da América Latina. Mas a perspectiva de comprometimento da imagem de excelência se agrava pelo inchaço das despesas, conforme observado nos últimos anos, à semelhança de outras repartições públicas usadas como “cabide de emprego”. Aquele tipo em que altos salários e estabilidade são garantidos às custas do contribuinte, sem parâmetros, sem limites e sem prestações de conta.

Ambas as situações – estupros e negligência financeira – são sinais de deterioração: o primeiro indica falta de civilidade, remetendo a comportamentos sociais dos primórdios da humanidade, e o segundo aponta para o descaso com a coisa pública, típico de sociedades subdesenvolvidas. Neste caso, a USP não é, infelizmente, o único exemplo no Brasil, muito embora emblemático pelo grau de respeitabilidade conquistado ao longo de anos passados e pelo tipo de serviço que oferece.

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9 de agosto de 2013
Crise, palavra que contamina

por Maria Clara R. M. do Prado

(publicado em 18/07/2013 no Valor Econômico)

 

As estimativas de crescimento do PIB brasileiro variam: há quem aposte em expansão mais modesta para este ano, abaixo mesmo de 2%, há os que trabalham com expectativa mais otimista, chegando perto dos 3%.

Também há aqueles que pintam um quadro sombrio para o país no curto e no médio prazos e os que esperam dias mais radiantes. Os prognósticos vão de um extremo a outro, muitas vezes movidos por egoísticos interesses políticos, para não dizer partidários, e cada vez mais estimulados pelo efeito “manada” (pela falta de uma palavra mais bonita) das reivindicações populares que acometeram os brasileiros a partir de junho.

O quadro econômico do país não chega a ser tão dramático como projetam alguns analistas. Parece que, de repente, a crise que atinge a maior parte da zona do euro passou a contaminar o Brasil na mesma dimensão, o que está longe de ser uma verdade.

É certo que alguns dados econômicos merecem atenção: o maior endividamento das famílias, os índices de inflação, as taxas de investimento, as contas externas, enfim… Estatísticas que precisam ser monitoradas regularmente com o objetivo justamente de evitar uma crise, ou seja, uma situação de ruptura e de perdas que desestabilizam o equilíbrio social.

Não é igual à do jovem brasileiro em geral, por exemplo, a situação do jovem espanhol, ou grego, ou português. Vivenciam situações opostas: enquanto no Brasil a demanda por mão de obra mantém-se em nível elevado, beneficiando assim o jovem trabalhador, a realidade em boa parte dos países da zona do euro é diametralmente oposta: o desemprego é alto e crescente.

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