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23 de abril de 2015
Mais confuso, impossível

por Maria Clara R. M. do Prado

 

O nível de incongruência a que chegaram os partidos políticos brasileiros talvez não tenha paralelo em nenhum outro lugar e em nenhuma outra época. De um lado, parece que baixou o “barata voa” no Congresso Nacional, tal é o paroxismo a que chegaram deputados e senadores.

Agem desvinculados de qualquer orientação ideológica partidária, a mercê, muitos, da insensatez de líderes que não estão preocupados com a biografia de ninguém, nem mesmo com a própria. Enxergam apenas o aqui e o agora, alijados de qualquer sintonia com o bom senso. Confundem autoridade com autoritarismo.

Individualmente, os políticos reforçam o ambiente de desconexão com uma sociedade que há 30 anos, desde a democratização, vem consolidando alto grau de complexidade, com interesses difusos, ambições alargadas e vozes de diferentes camadas sociais que não se intimidam diante da insatisfação.

O confronto entre classes é inevitável. E não é novidade. Aconteceu ao longo do processo de amadurecimento de toda sociedade que optou, ao fim e ao cabo, por manter e prestigiar as instituições democráticas, aquelas que são responsáveis justamente pela mediação do confronto, garantindo a convivência civilizada de todos os cidadãos, apesar da diferença de opiniões e da diversidade de interesses.

Escolhidos como representantes da sociedade para abrigar o debate divergente e tirar dele o consenso que deve nortear as leis, os políticos funcionam como corpo essencial do sistema institucional que zela pela democracia. Ou, dito de outra forma, pela harmonia entre as diferenças.  Mas eles não conseguiram, infelizmente, acompanhar a evolução da sociedade brasileira. Comportam-se como se as pessoas ainda se sujeitassem a parâmetros e ideias impostos de cima para baixo, como se a massa não tivesse se transformado em cidadãos.

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12 de março de 2015
Câmbio, juros e inflação

por Maria Clara R. M. do Prado

(publicado no Valor Econômico em 12/03/2015)

 

No atual cenário de crescentes incertezas, onde o agravamento do quadro político complica os esforços de estabilização da economia – e vice-versa, pois um reforça o outro – nada se consegue enxergar adiante, mas a ninguém é dado o direito de pelo menos não desconfiar do que está em jogo e das possíveis consequências político-institucionais que podem trazer danos para todos os brasileiros.

“Brinca-se com o fogo”, “Insufla-se o caos”, “Atiça-se o ódio”. São expressões dos moderados, em muitos casos tardias, que buscam interpretar as furiosas manifestações contra o governo e que devem atingir o ápice com a marcha prevista para o domingo próximo, dia 15. Mas os moderados parecem ser poucos. É bem provável que a mobilização tenha o efeito de fazer sangrar a Presidente Dilma Rousseff, como quer o senador do PSDB, Aloysio Nunes Ferreira, sem entrar em detalhes de como pretende sustentar a maldição.

O fato é que para onde se olha, depara-se com a tônica do “quanto pior, melhor”. Às previsões dos analistas financeiros não escapa o tom de pessimismo, retratado na expectativa de inflação em torno de 7% – bem acima do núcleo da meta, que é de 4,5% medida pela variação do IPCA – e de que o déficit público, malgrado todos os esforços do Ministério da Fazenda, continue elevado, comprometendo a promessa de chegar ao superávit primário no final do ano.

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