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16 de agosto de 2013
O Fed e as operações compromissadas

por Maria Clara R. M. do Prado

(publicado em 15/08/2013 no Valor Econômico)

Operação compromissada é o nome que se dá às transações entre o banco central e as instituições financeiras com vistas a regular o nível mais apropriado de reservas (dinheiro em “cash”) que os bancos devem ter em caixa vis a vis o objetivo de determinada taxa de juros de curto prazo.

Tais operações se realizam por meio da compra e da venda de títulos de renda fixa – normalmente, títulos do Tesouro – com cláusulas de revenda e de recompra, respectivamente. Ou seja, funciona como uma espécie de “porta” pela qual o Banco Central injeta ou recolhe liquidez da economia, por meio do sistema bancário.

Ao contrário do que alguns acreditam, essas operações não têm a função de financiar o Tesouro e nem contribuem para ampliar o endividamento público.

A taxa de juros de curto prazo é o principal instrumento de política monetária na era do regime de meta de inflação, mas os BCs podem fazer uso do mecanismo das operações compromissadas para recolher ou injetar mais recursos no sistema financeiro por meio da compra de títulos, com o compromisso de revendê-los de volta em determinado prazo. Essas operações, que normalmente envolvem uma pequena fatia do total de liquidez em circulação, poderiam ser classificadas de instrumento secundário no gerenciamento da política monetária no dia-a-dia.

Foi a elas que o Fed (o banco central dos Estados Unidos) recorreu maciçamente depois de 2008, a partir da crise financeira, na tentativa de reverter o franco processo de retração da economia americana. Optou-se pelo “second best” da política monetária, pois o “first best”, o instrumento dos juros, já então próximo de zero, havia esgotado sua eficácia.

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16 de dezembro de 2010
Inflação e meta

(publicado no jornal Valor Econômico em 16/12/2010)

Tudo indica que a presidente eleita Dilma Rousseff terá de enfrentar o desafio do combate à inflação enquanto perseguir a prometida decisão de acabar com a pobreza absoluta no país. Ao contrário do presidente Lula, que pôde usufruir de uma larga janela de oportunidade pelas favoráveis condições econômicas externas até o final de 2008, Dilma tomará posse em 1º de janeiro com um quadro sem dúvida muito melhor do que o de janeiro de 2003, mas uma crucial diferença separa os dois janeiros.

Lá, boa parte da turbulência cambial e, consequentemente, inflacionária, foi alimentada pelo medo do que Lula e seu partido poderiam causar à economia. Vencido o temor, o país retomou o seu curso, tirando o máximo proveito da fase benévola que combinou inflação baixa e crescimento indiscriminadamente em todas as partes do globo. [ leia mais ]