Posts com a Tag ‘renda’

9 de agosto de 2013
Crise, palavra que contamina

por Maria Clara R. M. do Prado

(publicado em 18/07/2013 no Valor Econômico)

 

As estimativas de crescimento do PIB brasileiro variam: há quem aposte em expansão mais modesta para este ano, abaixo mesmo de 2%, há os que trabalham com expectativa mais otimista, chegando perto dos 3%.

Também há aqueles que pintam um quadro sombrio para o país no curto e no médio prazos e os que esperam dias mais radiantes. Os prognósticos vão de um extremo a outro, muitas vezes movidos por egoísticos interesses políticos, para não dizer partidários, e cada vez mais estimulados pelo efeito “manada” (pela falta de uma palavra mais bonita) das reivindicações populares que acometeram os brasileiros a partir de junho.

O quadro econômico do país não chega a ser tão dramático como projetam alguns analistas. Parece que, de repente, a crise que atinge a maior parte da zona do euro passou a contaminar o Brasil na mesma dimensão, o que está longe de ser uma verdade.

É certo que alguns dados econômicos merecem atenção: o maior endividamento das famílias, os índices de inflação, as taxas de investimento, as contas externas, enfim… Estatísticas que precisam ser monitoradas regularmente com o objetivo justamente de evitar uma crise, ou seja, uma situação de ruptura e de perdas que desestabilizam o equilíbrio social.

Não é igual à do jovem brasileiro em geral, por exemplo, a situação do jovem espanhol, ou grego, ou português. Vivenciam situações opostas: enquanto no Brasil a demanda por mão de obra mantém-se em nível elevado, beneficiando assim o jovem trabalhador, a realidade em boa parte dos países da zona do euro é diametralmente oposta: o desemprego é alto e crescente.

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20 de junho de 2013
A cara política da classe média

por Maria Clara R. M. do Prado

(publicado em 20/06/2013 no Valor Econômico)

O país descobriu nos últimos dias algo que não deveria ter surpreendido analistas, deputados e senadores, governantes e estudiosos: o sentimento de “pertencer” – fazer parte de uma sociedade – da classe média, que implica tomar ciência da condição de cidadão como contribuinte e eleitor. O que se vê nas ruas é uma cobrança generalizada por serviços públicos de melhor qualidade e em maior quantidade, maior responsabilidade por parte dos políticos em geral e total repúdio ao desvio do dinheiro que se paga na forma de taxas e impostos.

Quem se surpreendeu com a mobilização do povo não levou em conta um fato banal: junto com a melhoria de renda não surgem apenas novos consumidores, mas também pessoas melhor informadas, inseridas no tecido da sociedade e, portanto, atentas aos seus direitos.

Desde 1994, quando se conseguiu estabilizar o país, passando depois pelas políticas públicas de redistribuição de renda introduzidas pelo governo Lula, só se enxergou as consequências do aumento de padrão de vida da população de renda mais baixa pela ótica econômica. Os números são abundantes. Falam do maior acesso ao crédito bancário, do aumento no uso dos cartões de crédito, das volumosas vendas de bens duráveis e de uma demanda ampliada por serviços básicos, sem esquecer dos números exponenciais de usuários de telefone celular (já agora na categoria dos “smartphones”) e de computadores.

Era como se os 40 milhões de brasileiros socialmente ascendentes para a classe C não tivessem ouvidos e muito menos capacidade de percepção e daí o espanto geral com a massa de gente que resolveu deixar claro que além da econômica, também tem uma cara política.

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22 de abril de 2013
Crescimento com maior equidade: hasta cuando?

por Maria Clara R. M. do Prado

Com os preços das commodities evoluindo mais moderadamente, no contexto de taxas ainda baixas de crescimento no países de economia mais avançada e também naqueles considerados “emergentes”, em especial a China, alguns analistas começam a prever taxas menores do PIB para os países da América Latina. Uma nova fase, de menor crescimento, estaria a caminho e o Brasil seria um dos mais afetados.

A pergunta que deve ser colocada, supondo a configuração de um cenário de menor prosperidade nos anos vindouros, é a seguinte: o que vai acontecer com a pujante classe média que nos últimos quinze anos foi significativamente ampliada em praticamente todos os países latino americanos? Tende a encolher? E a pobreza? Voltará aos níveis anteriores?

É cedo, por enquanto, para se saber a que ritmo, e se a menor, evoluirá o PIB na região. Vai depender de muitas variáveis. Primeiro, da movimentação do capital estrangeiro originário da abundante emissão de moedas fortes que tem alimentado a expansão das economias mais periféricas. Isso depende, obviamente, da percepção de uma retomada mais consistente e robusta nos Estados Unidos e na Europa, em especial. Segundo, do desempenho daqui para frente das contas públicas nos países latino-americanos face à nova realidade de menor ingresso líquido de divisas estrangeiras pela via da conta-corrente.

A julgar pelo que se pode enxergar hoje, é possível imaginar que, apesar de tender a um crescimento menor, a região não estaria sujeita a um retrocesso social e econômico para os deploráveis níveis das décadas de 80 (a região encolheu, em média, 0,2%) e de 90 (quando a expansão média do PIB não passou de 1,2%).

D e todo modo, são inegáveis os benefícios do inédito período de bonança que se espalhou pela América-Latina nestes primeiros anos do século XXI. Para sempre ficará registrado na história como a época em que os pobres viraram classe média, caracterizando-se como o período em que conseguiu-se conjugar o crescimento econômico com maior equidade.

O quadro abaixo, extraído de um longo estudo publicado recentemente pelo Banco Mundial,  mostra o que aconteceu na região, país por país, em termos de mobilidade social, com destaque para a significativa parcela dos que melhoraram de condição sócio-econômica.

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16 de abril de 2013
A informalidade e o PIB oficial

por Maria Clara R. M. do Prado

Afinal, o PIB do Brasil cresceu 0,9% em 2012 ou ficou acima disso? Que peso tem a economia informal na atividade econômica do país? O PIB teria sido maior se a informalidade entrasse nas estatísticas oficiais?

A questão, colocada à coluna pelo advogado Beno Suchodolski, não é nada trivial. Faz sentido imaginar que o “verdadeiro” PIB possa ser maior do que a taxa de expansão oficial considerando que um pedaço da economia se movimenta no subterrâneo da informalidade, gerando emprego, renda e oportunidades de negócios. Só não gera receita tributária, pois uma das motivações da informalidade é justamente a de fugir do pagamento de impostos e dos custos trabalhistas que oneram a produção.

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1 de fevereiro de 2013
Você sabe o que é ser brasileiro?

Maria Clara R. M. do Prado

A pergunta do título deste artigo pode suscitar uma resposta curta, nos extremos do sim e do não, mas será uma resposta simplória. Pois é na complexidade dos meios termos que se encontrará uma definição, tão variável quanto variáveis são a individualidade de cada brasileiro.

No geral, o conjunto de brasileiros forma um paradigma, uma noção de identidade nacional, definida por conceitos mais ou menos enraizados no imaginário: afável, pacífico, boa índole, trabalhador, tolerante, perseverante, entre outros. São características únicas, reúnem virtudes de causar inveja aos empresários argentinos!

Mas há os que fazem uma leitura menos virtuosa daquela lista de bondades e acham que, em verdade, os brasileiros são displicentes, acomodados, indolentes, preguiçosos, imediatistas e alienados, entre outras menos castas. Acreditam estes que os brasileiros mantêm os mesmos sintomas típicos de um povo colonizado, que ainda não se emancipou e, portanto, não amadureceu. Não saberiam dizer exatamente quem são.

Afinal, os brasileiros sentem ou não orgulho de serem brasileiros? Até onde vai o sentimento de “brasilidade”? Até que ponto os brasileiros estão ligados às suas raízes? Têm consciência histórica e percepção de sua importância no mundo?

Na busca de respostas, o jornalista Adalberto Piotto, ex-âncora da CBN, dedicou sua primeira experiência em cinema a colher depoimentos para o documentário “Orgulho de ser brasileiro” (veja trailer abaixo).

http://www.youtube.com/watch?v=YsFlpuXDDzs

No filme, previsto para ser lançado em maio, tudo gira em torno da pergunta sobre sentir orgulho de ser brasileiro. Vêm à tona os aspectos positivos, os negativos, as dúvidas e indefinições, assim como algumas certezas. [ leia mais ]

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16 de setembro de 2010
Do consumo para o investimento

(publicado no jornal Valor Econômico em 16/09/2010)

Uma nova etapa deve marcar o comportamento da economia brasileira a partir de 2011. Independente de quem esteja no comando político do país, uma robusta etapa de investimentos no setor real da economia terá de ser engendrada daqui para frente como condição absolutamente necessária para a manutenção do crescimento da renda.

Seria a consolidação de um processo econômico que começou com a abertura econômica do início dos anos 90 e firmou o passo com a estabilização garantida pelo Plano Real, em 1994. De lá até o ano 2000, altos e baixos marcaram a trajetória do PIB brasileiro. A demanda por commodities no mercado internacional ajudou a impulsionar a economia a partir de então, mas não há dúvidas de que o grande sustentáculo veio da expansão do consumo interno. [ leia mais ]

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20 de maio de 2010
A promissora classe C

(publicado no jornal Valor Econômico em 20/05/2010)

Nem todos se deram conta da extraordinária transformação pela qual passa a sociedade brasileira. O ingresso no mercado de boa parte da população que vivia à margem das oportunidades tem enormes implicações que não se esgotam no campo econômico. Muito pelo contrário, as consequências da mudança na renda das famílias tendem a se refletir cada vez com mais intensidade na tomada de consciência do cidadão sobre seus direitos e deveres. A consequência é política, antes de tudo.

A grande maioria dos expectadores das novelas da Globo já não está mais limitada aos sonhos que a vida espetaculosa dos personagens estimulava na tela. As pessoas da nova classe C brasileira viajam de avião, ao invés de pau-de-arara. Vestem-se em lojas de departamento, ao invés do bazar da esquina. Podem comemorar o Dia das Mães no restaurante do bairro, andar em carro próprio, ter mais de um celular e, nestes dias de pré-Copa, comprar aquele aparelho de TV de tela plana que garantirá ao torcedor um novo status. [ leia mais ]

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