Posts com a Tag ‘reservas’

12 de março de 2015
Câmbio, juros e inflação

por Maria Clara R. M. do Prado

(publicado no Valor Econômico em 12/03/2015)

 

No atual cenário de crescentes incertezas, onde o agravamento do quadro político complica os esforços de estabilização da economia – e vice-versa, pois um reforça o outro – nada se consegue enxergar adiante, mas a ninguém é dado o direito de pelo menos não desconfiar do que está em jogo e das possíveis consequências político-institucionais que podem trazer danos para todos os brasileiros.

“Brinca-se com o fogo”, “Insufla-se o caos”, “Atiça-se o ódio”. São expressões dos moderados, em muitos casos tardias, que buscam interpretar as furiosas manifestações contra o governo e que devem atingir o ápice com a marcha prevista para o domingo próximo, dia 15. Mas os moderados parecem ser poucos. É bem provável que a mobilização tenha o efeito de fazer sangrar a Presidente Dilma Rousseff, como quer o senador do PSDB, Aloysio Nunes Ferreira, sem entrar em detalhes de como pretende sustentar a maldição.

O fato é que para onde se olha, depara-se com a tônica do “quanto pior, melhor”. Às previsões dos analistas financeiros não escapa o tom de pessimismo, retratado na expectativa de inflação em torno de 7% – bem acima do núcleo da meta, que é de 4,5% medida pela variação do IPCA – e de que o déficit público, malgrado todos os esforços do Ministério da Fazenda, continue elevado, comprometendo a promessa de chegar ao superávit primário no final do ano.

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29 de dezembro de 2013
Decisão do IOF força desvalorização cambial

por Maria Clara R. M. do Prado

A decisão do governo de estender o IOF de 6,38% para as operações com cartão de débito e outros tipos de cartões usados por brasileiro no exterior, além dos “traveller checks”, conforme introduzida na sexta-feira, é uma medida cambial, por excelência. O câmbio continuará flutuante, mas o dólar turismo passará a “flutuar” em um patamar mais alto.

A medida teve o efeito de ampliar a desvalorização do real negociado no segmento do dólar turismo, criando uma cunha de quase 10% de diferença entre a cotação de R$ 2,3412 do dólar comercial, conforme negociado há dois dias, sexta-feira, dia 27, e a cotação do dólar turismo. Este atingiu R$ 2,44 no penúltimo dia útil bancário do ano de 2013, mas, acrescido do IOF ou de uma desvalorização forçada de 6,38%, pulou na prática para R$ 2,5956.

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16 de agosto de 2013
O Fed e as operações compromissadas

por Maria Clara R. M. do Prado

(publicado em 15/08/2013 no Valor Econômico)

Operação compromissada é o nome que se dá às transações entre o banco central e as instituições financeiras com vistas a regular o nível mais apropriado de reservas (dinheiro em “cash”) que os bancos devem ter em caixa vis a vis o objetivo de determinada taxa de juros de curto prazo.

Tais operações se realizam por meio da compra e da venda de títulos de renda fixa – normalmente, títulos do Tesouro – com cláusulas de revenda e de recompra, respectivamente. Ou seja, funciona como uma espécie de “porta” pela qual o Banco Central injeta ou recolhe liquidez da economia, por meio do sistema bancário.

Ao contrário do que alguns acreditam, essas operações não têm a função de financiar o Tesouro e nem contribuem para ampliar o endividamento público.

A taxa de juros de curto prazo é o principal instrumento de política monetária na era do regime de meta de inflação, mas os BCs podem fazer uso do mecanismo das operações compromissadas para recolher ou injetar mais recursos no sistema financeiro por meio da compra de títulos, com o compromisso de revendê-los de volta em determinado prazo. Essas operações, que normalmente envolvem uma pequena fatia do total de liquidez em circulação, poderiam ser classificadas de instrumento secundário no gerenciamento da política monetária no dia-a-dia.

Foi a elas que o Fed (o banco central dos Estados Unidos) recorreu maciçamente depois de 2008, a partir da crise financeira, na tentativa de reverter o franco processo de retração da economia americana. Optou-se pelo “second best” da política monetária, pois o “first best”, o instrumento dos juros, já então próximo de zero, havia esgotado sua eficácia.

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