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4 de fevereiro de 2013
Ficcionistas da ficção

Maria Clara R. M. do Prado

“Escrever é um ato de fracasso. A procura ineficaz da palavra inexata, da palavra que falta, ou da palavra que escapa. Escrever é afundar-se em um presente angustioso e denso feito da ausência da linguagem, de seu silêncio, de sua falência. Não há porvir no instante em que se escreve; este instante não prevê qualquer futuro, não o percebe em sua iminência”.

As palavras sem escape do escritor paulistano Julian Fúks, autor do livro “A procura do romance” tornam pesada a tarefa da escrita. Mais do que isso, denotam ceticismo na árdua busca da palavra enquanto um vazio quase que premeditado se abre diante do escritor. Para outros, escrever tem um sentido de sentinela, de estar atento à realidade do aqui e agora. É o caso de Luiz Ruffato, autor de “Domingos sem deus”.

“Definido o tema, definida a forma, resta-me apenas uma questão: para que escrever? Para mim, escrever é compromisso. Compromisso com minha época, com a minha língua, com meu país. Não tenho como renunciar à fatalidade de viver nos começos do século 21, de escrever em português e de viver em um país chamado Brasil. Esses fatos, junto com a minha origem social, conformam toda uma visão de mundo à qual, mesmo que quisesse, não poderia renunciar”, conta Luiz Ruffato.

Aqueles e outros escritos sobre como se escreve, como nasce um livro, que elementos se juntam para desencadear uma história, um verso, uma linha que seja, foram compilados em Ficcionais, uma coletânea de relatos de 32 escritores que haviam expressado suas experiências nas páginas do suplemento Pernambuco, uma publicação mensal do governo penambucano, dedicada à arte da escrita, editada por Schneider Carpeggiani, um jovem, como a maioria dos autores convidados.

O suplemento Pernambuco, aliás, é uma revista que merece ser acompanhada. A edição de fevereiro traz um especial sobre Dom Quixote. Pode ser acessada através de http://www.suplementopernambuco.com.br

Voltando aos Ficcionais, é interessante ler todos os relatos e descobrir os impulsos, em suas diversas individualidades, que levam ao ato da escrita. Sacrifício ou obrigação. Um vício, acreditam uns. Uma dádiva, creem outros. [ leia mais ]

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