Posts com a Tag ‘serviços’

21 de fevereiro de 2013
Paradoxos do pleno emprego

Maria Clara R. M. do Prado

(publicado em 21/02/2013 no Valor Econômico)

 

Muito tem sido escrito sobre o aparente paradoxo de uma economia que cresce à modesta taxa de 1% ao ano em situação de pleno emprego.

O consumo das famílias mantém-se elevado em qualquer que seja o setor, mas o nível de utilização da capacidade instalada da indústria de transformação brasileira não passa de 84,5%, segundo as informações coletadas pela última Sondagem Industrial da FGV-RJ/Ibre. Várias são as explicações.

 

O aquecimento da demanda tem pressionado os salários em geral, mas o aumento do custo de mão de obra só pode ser absorvido pelo setor de serviços pela inexistência de competidores externos (trata-se, no jargão econômico, de um setor de não comercializáveis, significando que não pode ser importado, muito embora a importação de serviços já esteja pesando na balança comercial do país).

 

 

Pois bem, vamos imaginar que realmente o setor de serviços é imune aos efeitos da competição internacional, mas não pode haver dúvidas de que o mesmo não acontece na indústria de transformação, que produz tecidos, carros, sapatos, entre outros bens que estão dia e noite sujeitos à concorrência dos importados.

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17 de janeiro de 2013
Inflação não se administra

Maria Clara R. M. do Prado

(publicado em 17/01/2013 no Valor Econômico)

 

O governo optou pela tática de administrar a taxa de inflação. Não é a primeira vez que isso ocorre no país. Houve ocasiões, no passado, em que índices de preços foram manipulados. Em outras, tentou-se o tabelamento de preços e acordos informais com o setor privado visando “segurar” o aumento de preços. Nada disso funcionou. Inflação represada não desaparece como por encanto, ela simplesmente existe, em algum momento mostra a sua cara e pode ressurgir com picos ainda mais altos, uma desagradável surpresa para quem ousou intervir na formação natural dos preços.

A perspectiva de um IPCA mais alto é, talvez, o pior que poderia acontecer nesta fase do governo da presidente Dilma Rousseff. A menos de dois anos das eleições, há o risco de uma inflação crescente comer parte da renda dos 40 milhões a 50 milhões de brasileiros que emergiram para uma vida mais civilizada nos últimos dez anos. Há certo exagero aqui, mas nunca é ruim exagerar para prevenir o pior.

A inflação não nasce por geração espontânea. Se roda hoje ao redor de 5,5% a 6% ao ano é porque a economia funciona de forma a que os preços praticados sejam mais altos. Há explicações conjunturais e estruturais para isso.

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