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15 de abril de 2013
Thatcher universalizou os britânicos

por Maria Clara R. M. do Prado

A morte da ex-Primeira-Ministra Margaret Thatcher suscita enorme repercussão e não sem razão. Polêmica, há quem a ame e quem a odeie na Grã-Bretanha, país que ela governou ao longo de onze anos seguidos e no qual introduziu enorme transformação.

A economia britânica, como se sabe, ganhou impulso a partir das reformas que tiveram como ponto forte a privatização das emblemáticas empresas estatais – incluídas na lista a Rolls Royce e a Jaguar – que funcionavam como cabides de emprego, por um lado, e, de outro, como verdadeiros pólos de reforço ao poder dos sindicatos dos trabalhadores.

Quem teve a oportunidade de viver na Inglaterra antes e depois de Thatcher, conhece muito bem as mudanças pelas quais o país passou na década de 80 do século XX. Antes, as greves eram assunto corriqueiro: de ambulâncias, de ferroviários, de carvoeiros, de professores, “you name it!”. Havia dias em que era impossível sair de casa. Não havia ônibus, nem trens. As escolas primárias e secundárias, fechadas. Naquela segunda metade dos anos 70, as greves eram praticamente diárias e o país mantinha-se paralisado em meio a discussões políticas que o Partido dos Trabalhadores fazia reverberar no Parlamento, sob a liderança de James Callaghan.

Na era Thatcher, o mantra mudou e os conservadores passaram a culpar a incapacidade do socialismo de gerar oportunidades e riqueza. No vídeo abaixo, prestes a deixar o governo, no final de 1990, a Primeira-Ministra argumenta no Parlamento com a oposição que a culpava por ter ampliado a diferença entre pobres e ricos no país:

http://www.youtube.com/watch?feature=playerembedded&v=okHGCz6xxiw

 

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15 de setembro de 2011
Querem enquadrar os culpados!

(publicado no jornal Valor Econômico em 15/09/2011)

Quanto mais se agrava a situação econômico-financeira dos países mais desenvolvidos, assim chamados até aqui, menos clareza parece haver na percepção dos analistas de mercado quanto às mudanças de rumo e de prumo que têm tomado forma nos últimos três anos. A rigor, no 3º aniversário, completado hoje, da quebra formal do Lehman Brothers, predomina entre os porta-vozes do mercado financeiro a mesma postura de superioridade que ao longo dos anos dourados do crescimento mundial influenciou formadores de opinião, o mundo acadêmico e a política econômica do governo. A impressão que se tem, pelo menos por aqui, é a de que a ficha não caiu!

No entanto, o quadro é outro. São absolutamente vãs as tentativas no sentido de “enquadrar a crise”. Assim como são vãs, além de fundamentalmente equivocadas, as análises que teimam em ler os dados conjunturais de hoje com os mesmos olhos que guiaram opiniões e comentários no passado recente. Fizeram sentido até a “explosão” do sistema financeiro nos Estados Unidos, em 2008. Ocorre que a crise pegou no fundo justamente do segmento que mais evidência teve no cenário econômico e financeiro nos anos 90 e em boa parte da década passada. Junto, foram afetados princípios, crenças, dogmas e comportamentos. Mas nem todos se aperceberam disso, por inércia ou por omissão. [ leia mais ]