Posts com a Tag ‘soberania’

14 de julho de 2016
A madura democracia britânica

por Maria Clara R. M. do Prado

(publicado em 14/07/2016 no Valor Econômico)

Ao despedir-se ontem do cargo de líder do partido conservador e, consequentemente, da função de Primeiro-Ministro, David Cameron reforçou o sentido da democracia que os britânicos cultuam há séculos. “Eu fui o futuro uma vez” foram as palavras finais da sua fala, denotando, de um lado, o reconhecimento do equívoco político revelado pelo resultado do plebiscito sobre o “Brexit” e, de outro, a resignação com o desfecho natural da sua substituição na liderança partidária.

Democracias maduras – e a britânica é, de longe, a mais amadurecida de todas – funcionam assim. Pode ser que o parlamentarismo ajude a perpetuar o funcionamento de um sistema que acentua o papel das instituições na sua longevidade, mas também pode ser que o modelo britânico talvez não funcionasse tão bem não houvesse por detrás um rei ou uma rainha a sustentar a legitimidade das decisões políticas.

E, para quem se apressa a fazer comparações com situações em países como o Brasil, deve ser lembrado aqui os milhares de anos que distinguem os percursos das conformações políticas, cada qual com seu sistema. É possível que se viva hoje um dos momentos mais cruciais da política brasileira, distanciada nos últimos anos da característica fundamental da representatividade dos interesses do país e da sociedade em geral. Mas pode ser que os vergonhosos acontecimentos recentes resultem em um salto benigno no processo de amadurecimento desta democracia, em seu maior período, embora curto, em quase duzentos anos de independência política.

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21 de março de 2013
Desastrada proposta da UE

Maria Clara R. M. do Prado

(publicado em 21/03/2013 no Valor Econômico)

De tudo o que se viu até aqui desde o aprofundamento da crise na zona do euro, com o potencial default da Grécia – lá se vão três anos – nada é tão dramático e tão bombástico quanto a desastrada solução arquitetada pela cúpula da União Europeia, com o apoio do Fundo Monetário Internacional (FMI), para Chipre.

Desastrada, em princípio, pelo inusitado precedente do confisco sobre os depósitos bancários dos cipriotas. Por qualquer lado que se analise, a proposta europeia não tem pé e nem cabeça porque, ao contrário do que aconteceu com o cruzeiro no Plano Collor e com o peso argentino na época do “corralito”, o confisco sugerido como se fora uma “contribuição” da sociedade local na solução dos problemas financeiros dos bancos e do governo jamais ficaria limitado, em suas consequências, às fronteiras de Chipre. O euro é uma moeda única para toda a zona europeia que optou por aderir ao modelo da unificação monetária.

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